As 10 Melhores Ideias do Festival de Ideias na Convenção Internacional do Rotary

Festival Ideias - Panoramica

Em nossa sessão na Convenção Internacional do Rotary 2015, realizada em 08/06, pedimos pedimos aos participantes que dessem ideias de como os Rotary Clubs poderiam contribuir para divulgar e levantar recursos para a causa. Recebemos uma quantidade enorme de ideias e publicamos aqui as 10 melhores que foram selecionadas e apresentadas pelos seus autores.

Larissa

Larissa Gabriela Felix da Silva, Rotaract Club de Curitiba Oeste, Paraná, Brasil.

Plante uma Semente para Salvar uma Vida. “Fizemos uma parceria com a Secretaria do Meio Ambiente e ganhamos as mudas de árvores. Vendemos cada uma por R$ 5,00. Plantamos 400 árvores e arrecadamos R$ 1.700,00 para o Fundo Pólio Plus. Depois, passamos a vender cartões-semente. Doando R$ 6,00, a pessoa leva um cartão para casa, rasga ao meio, planta, rega e depois de um tempo nasce uma flor.”

Aisha

Aisha Funsho, Rotary Club of Lekki Phase I, Nigeria.

Cooking Competition. “Ask corporations to donate to the polio eradication program for the cook to participate in the cooking competition.” 

Competição de Chefs. “Para participar, cada chef terá que obter uma determinada quantia em doações de empresas para o programa de erradicação da doença.”

 

Adeniji

Adeniji Raji, Rotary Club of Gbagada, Nigeria.

Horse Racing, “Ask big corporations to sponsor each horse for a minimum of US$ 10,000.” 

Corrida de Cavalos. “O proprietário do cavalo terá que pedir a empresas uma doação de US$ 10.000 para a erradicação da pólio, para que o seu cavalo possa participar da corrida da End Polio Now.”

 

Raul

Raul Guerra Neto, Rotary Club de Jacareí Avareny, São Paulo, Brasil.

Ação Entre Amigos da End Polio Now. “Se cada Distrito de Rotary vender 1000 números a R$ 100,00, arrecadaremos mais de US$ 100.000 em seis meses. O prêmio seria uma automóvel 0 Km.”

Celso

Celso Pereira Martins, Rotary Club de Fernandópolis, São Paulo, Brasil.

End Polio Now nas Vitrines. “Visitar lojas de roupas e pedir para  expor camisetas da End Polio Now em manequins na vitrine, e orientar os vendedores sobre a campanha. Após 15 dias, vender camisetas nas redondezas para levantar fundos.”

Adriana

Adriana de Souza, Rotary Club de Americana, São Paulo, Brasil.

Caminhada da Pólio. “Realizar uma grande caminhada em uma avenida principal da cidade. Vender cartões da pólio e camisetas como inscrição para o evento. No mesmo dia, os funcionários de uma rede de supermercados da região deverão estar vestidos com a camiseta da End Polio Now.”

Rosnei

José Rosnei de Oliveira Rosa, Rotary Club de São José Kobrasol, Santa Catarina, Brasil.

Recorde Mundial de Camisetas de Campanha. “Confeccionar 40.000 camisetas vermelhas da campanha End Polio Now para a próxima Convenção Internacional do Rotary em Seoul, Coreia. Incluir o custo da camiseta na inscrição. No dia da Convenção, cada participante receberá a camiseta e a vestirá para fotos de divulgação da campanha.” 

Vera

Vera Lúcia Radavelli Wolfe, Rotary Club de Herval D’Oeste, Santa Catarina, Brasil.

Educação Infantil. “Sabendo que a educação infantil atinge crianças de até 5 anos, sugiro realizar atividades nos Centros de Educação Infantil, com o Zé Gotinha e palestras para pais e professores para engajá-los na campanha, e também para tirar o medo que as crianças têm das vacinas.”

Judith

Judith Diment, Rotary Club of Windsor St George, UK. (*)

Crowd Funding. “Set up a crowd funding project to coincide with World Polio Day Octover 24th, targeting the Pakistan Diaspora around the world through the 50,000 members of the World Congress of Pakistanis Overseas, using MyRotary/Exchange-Ideas Website.” Crowd Funding. “Criar um projeto de crowd funding para o Dia Mundial da Polio em outubro, visando a diáspora paquistanesa através dos 50.000 membros do Congresso Mundial de Paquistaneses Expatriados, usando o site MyRotary/Exchange-Ideas.”

Roberta

Roberta Lopes de Moraes, Rotary Club de Rio Claro, São Paulo, Brasil.

Plano de Ação Distrital para a End Polio Now. “Para a minha gestão como Governadora do Distrito elaborei o seguinte plano: (1) procurarei conscientizar os rotarianos sobre a importância de contribuir para o fim da pólio, e passarei 1 cofrinho para doações em cada visita a clube que fizer; (2) criaremos um 0800 para doações por telefone; (3) promoveremos a venda de camisetas e acessórios diversos da campanha; (4) promoveremos uma caminhada da End Polio Now; (5) confeccionaremos o cofrinho do rotariano para ser enchido com moedas durante o ano; (6) faremos um pedágio para a End Polio Now; (7) realizaremos eventos da ‘Maior Refeição do Mundo’ do Rotary, para a End Polio Now; (8) estabeleceremos metas para cada presidente de Rotary Club; (9) faremos um Rotary Day no Dia Mundial da Pólio em outubro; (10) organizaremos um voo de parapente decorado com o símbolo da End Polio Now para divulgar a campanha.”

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Festival de Ideias End Polio Now
End Polio Now Idea Exchange
Rotary International Convention 2015 Sao Paulo

(*) Judith Diment é vencedora do Prêmio Internacional por Um Mundo Livre da Pólio 2015 e é membro do Comitê Internacional Pólio Plus do Rotary.

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End Polio Now Nigéria

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Em nosso workshop na Convenção Internacional do Rotary 2015, tivemos a palestra do Dr. Tunji Funsho, Presidente da Comissão Nacional Polio Plus da Nigéria. Ele nos contou como são as campanhas que têm sido feitas para acabar com a pólio naquele país.

TF-Festival Ideias

Let me first of all thank Wan for the kind introduction but particularly for inviting me here in the first place. It has been about six month on mails to and fro to get me here.

Primeiramente gostaria de agradecer ao Wan pela gentil apresentação, e em especial pelo convite para estar aqui. Foram cerca de 6 meses de emails indo e vindo para trazer me até aqui hoje.

To the audience let me say thank you (in Portuguese) for without you here we will not be having a discussion. Your presence here also shows your interest in ensuring that the largest public private partnership for health in history, polio eradication, comes to a speedy and successful conclusion.

A vocês, deixe me dizer OBRIGADO pois sem vocês aqui não haveria esse encontro. Sua presença aqui também mostra o seu interesse em garantir que a maior parceria público-privada da saúde pública da história, a erradicação da polio, tenha um rápido e bem sucedido desfecho.

I will be talking in brief of what we do at NNPPC, give you a global and local overview of where we are with polio eradication and finally the main reason we are here to talk about funding this gigantic project.

Irei falar brevemente sobre o que nós fazemos na Comissão Nacional Pólio Plus da Nigéria, dar a vocês uma visão global e local de onde estamos na erradicação da polio e o principal motivo de estarmos aqui para falar do financiamento deste projeto gigantesco.

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The NNPPC, like other national committees, was set up to promote and coordinate Rotary’s effort to eradicate polio by ensuring that those two precious drops of polio vaccine reach every child.

A Comissão Nacional Pólio Plus da Nigéria foi criada para promover e coordenar o esforço do Rotary na erradicação da polio, garantindo que as preciosas gotas da vacina contra a pólio cheguem a todas as crianças.

We in Nigeria focus on three core activities: advocacy, fundraising and operations. Our key constituencies for advocacy are the political leaders, religious leaders, traditional leaders, the general public and Rotarians.

Nós na Nigéria focamos 3 atividades fundamentais: defesa da causa, levantamento de recursos e operações. Nosso público alvo para defesa da causa são os líderes politicos, líderes religiosos, líderes tradicionais, o público em geral e os Rotarianos.

You may wonder why we need to engage Rotarians. This is primarily because new members join our ranks daily and our programme and processes change to meet the needs of the times.

Vocês devem estar se perguntando por que precisamos engajar os Rotarianos. Precisamos fazer isso porque novos membros ingressam diariamente e muitos aspectos do programa mudam com o passar do tempo.

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Rotary could not have achieved the success we have achieved so far without the support of our partners: WHO, UNICEF, CDC, Gates Foundations, Dangote Foundation (in Nigeria) with the cooperation and support of the governments of the world.

O Rotary não poderia ter conseguido o sucesso que conseguimos até agora sem o apoio dos nossos parceiros: OMS, UNICEF, CDC, Fundação Gates, Fundação Dangote (na Nigéria), com a cooperação e apoio dos governos do mundo.

The GPEI has turned out to be the largest PPP for health in world history. This is a great credit to OUR organisation as we are bequeathing a great legacy for generations to come.

O GPEI se tornou a maior parceira público-privada da saúde na história. Isso é creditado à NOSSA organização, à medida que deixamos um grande legado às próximas gerações.

As most of you know when the Polio Plus programme was launched polio was ravaging 125 countries, killing and maiming about 1,000 children every day. Today we record about one case daily.

Como a maioria de vocês sabe, quando o programa Pólio Plus foi lançado, a polio devassava em 125 países, matando e aleijando cerca de 1000 crianças a cada dia. Hoje, temos apenas 1 caso por dia.

We have come a very long way but one case of polio is a child whose life will be changed to a life of physical and emotional struggle to attain its full potential. So every case is one case too many.

Já percorremos um longo caminho, mas cada caso da doença é uma criança que será condenada a uma vida de luta para atingir seu potencial pleno. Então, cada caso já é muita coisa.

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There are only three countries now left with active transmission of the polio virus: Pakistan, Afghanistan and Nigeria. So far this year Pakistan has 21 recorded cases and Afghanistan has 1 recorded case. There has been no case of polio in Nigeria this year.

Existem somente 3 países agora com a transmissão ativa do virus da polio: Paquistão, Afeganistão e Nigéria. Até agora, neste ano, o Paquistão teve 21 casos e o Afeganistão teve 1 caso. Não houve nenhum caso de pólio na Nigéria este ano.

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Nigeria recorded its last case of polio in July 2014 and we are working very hard to ensure that that will be the last child in Nigeria that will be affected by this disease.

A Nigéria registrou o ultimo caso de pólio em Julho de 2014, e estamos trabalhando duro para garantir que aquela tenha sido última criança na Nigéria vitimada pela doença.

This achievement has not come easy. We have had to overcome many challenges including anti polio campaigners, insecurity, funding and infrastructural issues. We continue to face some of this challenges particularly insecurity with its attendant displaced persons both internally and externally.

Essa conquista não veio facilmente. Tivemos que superar muitos desafios incluindo ações contra a pólio, insegurança, financiamento e problemas de infraestrutura. Continuamos a enfrentar problemas, particularmente o de insegurança, juntamente com o problema do deslocamento em massa de pessoas pela violência interna e externamente.

These challenges contribute to the escalating cost of polio eradication not only in Nigeria but in other parts of the world particularly in Pakistan and Afghanistan. With your continued support I am confident we will eradicate polio very soon.

Esses desafios contribuem para a escalada do custo da erradicação da polio não somente na Nigéria, mas em outras partes do mundo, particularmente no Paquistão e Afeganistão. Com o seu continuo suporte, estou confiante de que iremos erradicar a polio em breve.

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The funding for the GPEI has come principally from governments notably the USA, EU, Canada, Japan, Germany, UAE, UK, Australia and various Foundations and individuals to a total amount of $7 billion.

O financiamento para o GPEI tem vindo principalmente de governos, notadamente dos EUA, UE, Canadá, Japão, Alemanha, Emirados Árabes, Reino Unido, Austrália e várias fundações e indivíduis que totalizam US$ 7 bilhões.

Rotary has provided $206 million to Nigeria, $664.8 million to Africa and a total of $1.4 billion worldwide. The global funding gap is $451 million through to 2018, but this will likely change in the near future.

O Rotary doou US$ 206 milhões à Nigéria, US$ 664 milhões à África e um total de US$ 1,4 bilhões ao mundo. Estão faltando ainda US$ 451 milhões, para completar o orçamento até 2018, mas isso deve mudar em breve.

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At the end of the day all our efforts are geared towards getting those two precious drops of the polio vaccine in the mouths of all children below the age of five.

No fim das contas, todos os nossos esforços estão voltados para colocar aquelas duas preciosas gotas da vacina da polio na boca de todas as crianças de até 5 anos.

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Recently the injectable polio vaccine has been introduced in Nigeria to boost population immunity and also as part of the end game strategy which aims at removing any live polio virus from circulation by 2018.

Recentemente, a vacina injetável foi introduzida na Nigéria para impulsionar a imunidade da população e também como parte da estratégia do chamado fim de jogo, que tem como objetivo acabar com a circulação do virus até 2018.

The Emergency operations centers set up to ensure all eligible children are immunized come up with innovations to tackle these challenges regularly. As such they are becoming less and less obstacles to the realization of a polio-free Nigeria and by extension a polio-free Africa.

Os centros de operação emergenciais criados para assegura que todas as crianças sejam imunizadas vieram com inovações para enfrentar esses desafios a cada instante. Tanto que os obstáculos estão diminuendo cada vez mais para conseguir uma Nigéria livre da polio e por extensão uma África livre da polio.

A programme that is focused on the community cannot be successful without the active support and cooperation of the government at the highest level. So advocacy visits at regularly intervals are to the President as in this picture is necessary.

Um programa que é focado na comunidade não pode ser bem sucedido sem o apoio ativo e cooperação do governo no mais alto escalão. Então visitas regulares de defesa da causa são realizadas ao Presidente do país, como mostra esta imagem.

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We have here the President, the Chief of Staff, Secretary to the Government and Minister of Petroleum. We also have PRIP Jonathan Majiyagbe and Wilfred Wilkinson and members of the NNPPC with Sir Emeka Offor.

Aqui temos o Presidente da Nigéria, o Chefe das Forças Armadas, o Secretário de Governo e o Ministro do Petróleo. Temos também o Ex-Presidente do Rotary International Jonathan Majiyagbe e Wilfrid Wilkinson e membros da Comissão Nacional Pólio Plus da Nigéria com Sir Emeka Offor.

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With the Sultan of Sokoto, the most respected and influential traditional leader in Northern Nigeria being giving an award by the NNPPC represented by its chairman North PAG Ndanusa.

Com o Sultão de Sokoto, o mais respeitável e influente líder tradicional no Nordeste da Nigéria, recebendo um prêmio da CNPP da Nigéria, representado pelo  Ex-Governador Distrital Ndanusa.

Issues of non-compliance crops up all the time. Often there is need for community dialogue to resolve it. Community leaders are invited to the traditional head for a friendly discussion.

Problemas de não aceitação acontecem a toda hora. Frequentemente é necessário se dialogar para resolver o problema. Aqui, líderes comunitários são convidados para usa discussão amigável.

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True to the spirit of Rotary, Rotarians from non-polio endemic countries just like most of you here have continued to support the programme by raising funds to fill the funding gap and also travelling thousands of kilometers to participate in immunisation activities.

No verdadeiro espírito Rotário, Rotarianos dos países livres da polio como vocês aqui têm apoiado continuamente o programa levantando recursos para completar a lacuna do orçamento e viajando milhares de quilômetros para participar de ações de imunização.

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We are 99% on the way to eradicating polio from the world. In Nigeria the figure is even better. We will hopefully be removed from the list of polio endemic countries in two months’ time as Nigeria has now been polio free for 10 months.

Estamos 99% do caminho para erradicar a polio no mundo. Na Nigéria, o número é melhor ainda. Esperamos estar for a da lista dos países endêmicos em dois meses, já que a Nigéria está sem um caso da doença há 10 meses.

All we need to do now is to remain focused doing what we have been doing, avoid distractions and ensure we raise the needed funds to get the job done. In this regard I thank all of your for your continued dedication to Rotary’s cause to eradicate polio from the world.

Tudo o que precisamos fazer agora é continuar focados fazendo o que temos feito, evitar distrações e assegurar que consigamos levanter o dinheiro necessário para terminar o trabalho. Neste sentido eu quero agradecer a todos por sua continuada dedicação à causa do Rotary de erradicar a polio no mundo.

Thank you. Muito obrigado.

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Festival de Ideias End Polio Now
End Polio Now Idea Exchange
Rotary International Convention 2015 Sao Paulo

Um novo aliado contra a pólio

Mais uma vez nossa campanha é notícia na Revista Brasil Rotário (edição de abril), agora com o nosso novo embaixador catarinense para a erradicação da pólio, Betinho Carrero.

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Clique nas imagens para ler o artigo.

O Parque promoverá ações de divulgação e arrecadação de recursos em conjunto com os três distritos catarinenses do Rotary. “Sabemos o quanto esta luta é importante e para nós não se trata apenas de uma parceria em 2015. Pretendemos continuar com esta bandeira enquanto a doença existir”, declarou Siqueira” [Presidente do Beto Carrero World].

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A matéria é complementada com uma notícia do Paquistão, onde a batalha final do programa de erradicação da pólio está sendo travada no momento, “É o Paquistão que dirá quando conseguiremos acabar com a doença, avalia Wan Yu Chih, presidente da Subcomissão Polio Plus do Rotary no distrito 4561 (Santa Catarina).”

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O Talibã e a Pólio

Primeiro, foram os líderes religiosos islâmicos. E logo, inúmeras ações de convencimento foram realizadas pelo programa de erradicação da pólio, o que surtiu efeito, mas não resolveu o problema. Agora, o que impede o fim da pólio no mundo é o conflito provocado por militantes extremistas religiosos.

Até o surgimento do Talibã no Afeganistão e no Paquistão, e do Boko Haram na Nigéria, o combate à pólio desfrutava de uma tranquilidade política. O Boko Haram e o Talibã defendem a adoção de um estado islâmico em seus países, governado por clérigos e regido por leis islâmicas. Ambos têm a mesma ideologia e foram treinados pela Al Qaeda, que prega uma revolução islâmica global através do terrorismo, e surgiram no vácuo deixado pela pobreza, desigualdade e injustiça. Infelizmente, lutam pelo que defendem com violência e terror, obstruíndo a vacinação de crianças contra a poliomielite.

“Educação ocidental é pecado”

Em 2003, no norte da Nigéria, líderes religiosos ordenaram um boicote à vacinação, alegando que as vacinas estavam contaminadas, como parte de um plano do Ocidente para matar muculmanos e limitar o aumento da população. Isso fez o programa de erradicação retroceder uma década naquele país. O rumor não veio do nada. Em 1996, em meio a uma epidemia de meningite na Nigéria, a Pfizer ministrou um novo antibiótico, ainda em fase de teste, em 200 crianças, sem o consentimento dos pais. Onze delas morreram e muitas outras sofreram sequelas. Isso aconteceu exatamente no ano que Nelson Mandela, tendo sido eleito Presidente na África do Sul, conclamou a todo continente africano que iniciasse as campanhas de vacinação contra a pólio.

Boko Haram significa “educação ocidental é pecado”, e condena tudo o que vem do Ocidente, inclusive a vacinação. Surgiu em 2002, como uma escola para preparar jovens muçulmanos de famílias pobres, com o objetivo de se criar um estado islâmico. Em 2013, eles passaram a matar os vacinadores da pólio. Segundo o Governador de Borno, o maior reduto do Boko Haram, “eles estão mais armados e mais motivados que as nossas tropas. É impossível derrotá-los”.

Por tudo isso, é fácil entender porque a Nigéria é um dos últimos países a se livrar da doença. Mesmo assim, graças à ação do Governo, das forças armadas, perseverança e engenhosidade das equipes de vacinação, hoje, a Nigéria está a quase 1 ano sem nenhum caso da doença.

Boatos

Desde que as campanhas de vacinação começaram no Paquistão, em 1994, mais de uma centena delas já foram realizadas. Mesmo assim a pólio ainda persiste. Por isso, o sentimento de que as campanhas são intermináveis tem levado à conspiratórias. Lá também existe a alegação de que a vacina é parte de um complô do Ocidente para esterilizar muçulmanos. O rumor deve ter surgido devido as jaquetas usadas pelos vacinadores da pólio serem parecidas com aquelas usadas na campanha de planejamento familiar.

Alguns clérigos alegam que a vacina contém ingredientes derivados de porcos, proibidos aos muçulmanos. Mas ter receio da vacinação não é exclusividade de religiosos islâmicos. Alguns grupos religiosos cristãos também se opõem à vacinação, alegando um suposto uso de células humanas na pesquisa e fabricação.

Os “Estudantes”

Talibã quer dizer “estudantes”. Ele surgiu no Afeganistão como uma milícia, em 1994, logo após a guerra com a União Soviética. Chegou ao Governo em 1996, e após 11 de setembro de 2001, foi perseguido por abrigar Osama bin Laden, e boa parte fugiu para o Paquistão, onde ainda impera. Seu membros vieram de escolas para jovens muçulmanos, preparados com o objetivo de se criar um estado islâmico.

Em alguns locais, graças à falta de entusiasmo dos dirigentes, muitos vacinadores pararam de se importar, também. Compreensivelmente, eles pararam de ir aos vilarejos nas montanhas ou deserto do Paquistão. As autoridades da saúde passaram a usar rastreadores GPS nas geladeiras de isopor que levam as vacinas, para verificar se os vacinadores estavam indo aos locais designados. Quando os Estados Unidos começaram a bombardear, em 2004, com drones, o território do Talibã no Paquistão, o GPS se tornou suspeito e começaram a acusar os trabalhadores da saúde de serem espiões dos americanos.

O Talibã se opõe aos programas de saúde por acreditar que os programas são fachada para atividades de espionagem. Em 2011, durante a perseguição a bin Laden, um médico paquistanês, trabalhando para a CIA, obteve o DNA de crianças vacinadas, usando como fachada uma campanha de imunização da Hepatite B. A prisão do médico causou bastante estrago ao programa de erradicação da pólio, no Paquistão. O episódio enfureceu a comunidade da saúde pública nos EUA. Em janeiro de 2013, os reitores das 12 principais escolas de saúde pública escreveram uma carta ao Presidente Obama, criticando veementemente o uso de campanhas de vacinação pela CIA, pondo em risco o programa de erradicação da pólio, e a credibilidade das organizações humanitárias internacionais.

No ano seguinte, o Talibã, no Paquistão, ordenou o bloqueio à vacinação da pólio até que os EUA parassem os ataques com drones na área, afirmando que os ataques matavam e aleijavam mais civis que a pólio.

Na etnia Pashtun, predominante na região em que habita o Talibã, é costume se manter as mulheres em casa, ou fazê-las usar a burca para sair à rua. Por isso, só vacinadoras do sexo feminino (vestidas de burca) podem ter acesso aos lares e às crianças para vacinação. Mesmo assim, o Talibã opõe-se à ideia de mulheres trabalhando, e não tem reservas em matá-las no cumprimento de sua missão. Somente nos dois últimos anos, foram mortos 66 vacinadores.

Contrariamente ao Boko Haram, não se pode dizer que o Talibã esteja mais armado que as tropas do Governo. Afinal, o Paquistão é um país governado por militares, e que apesar de sua enorme crise social e econômica, conta com mísseis nucleares capazes de destruir cidades inteiras. Cabe à comunidade mundial encontrar meios diplomáticos para acabar com esse último reduto do vírus da pólio e, finalmente, conseguirmos erradicar a doença.

Podemos fazer mais que isso

Bom dia! É um prazer estar aqui com vocês para celebrarmos juntos a conclusão de mais um ano Rotário do nosso Distrito e, junto, celebrarmos 3 anos da Campanha End Polio Now Santa Catarina. Por isso, gostaria de aproveitar a oportunidade e fazer um relato das nossas principais conquistas, e compartilhar com vocês algumas coisas que aprendemos. Quando fomos convidados para assumir a Subcomissão Polio Plus do Distrito, podíamos ter proposto realizar uma ação ou outra, mas pensamos, “Por que não lançar uma campanha End Polio Now, em Santa Catarina?” Queríamos que o Distrito 4651 pudesse dar a sua devida contribuição ao enorme esforço promovido pelo Rotary no mundo, para acabar com essa doença, a paralisia infantil. pmSlide2 Como é que as pessoas não apoiariam a campanha em Santa Catarina, já que, no mundo, ela teve tantas celebridades que apoiaram, alguns deles verdadeiros ídolos, como o Nelson Mandela, que iniciou os dias nacionais de imunização em todo continente africano. Não somos Mandela, por isso, sabíamos que os objetivos da nossa campanha seriam desafiadores. O primeiro, o de divulgar a causa, envolveria a tirar a pólio do esquecimento, uma doença que a maioria das pessoas por aqui não vê mais, e nem sabe o que é. Outro objetivo era o de arrecadar para a causa. Muita gente acha difícil doar dinheiro para pessoas estranhas, mesmo sendo crianças, de países que nem conhecem. Mas por onde começar? Foi quando nos lembramos de uma pequena história, que era assim. Ela se passa em Paris. Havia um cego sentado na calçada com um chapéu no chão, e um pequeno quadro negro com uma anotação em giz: “Ajude um cego”. pmSlide3 Um publicitário parou e viu o chapéu vazio. Sem pedir licença, pegou o quadro, apagou, escreveu uma nova mensagem, e foi embora. No final do dia, o publicitário retornou. Agora, o chapéu estava cheio de moedas e notas de dinheiro. Sentindo a sua presença, o cego perguntou, “O que foi que você escreveu?” O publicitário respondeu, “Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras”. Sorriu e foi embora. O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia: “Hoje é Primavera em Paris, e não posso vê-la”. pmSlide4 Ficamos impressionados com o poder da mensagem, quando escrita de modo a inspirar as pessoas. E a mensagem que passamos a usar em nossa campanha foi a mesma que o Rotary escreveu em 2007, quando lançou a campanha mundial End Polio Now, “Faça parte da história.” pmSlide5 Outra coisa que nos ajudou na campanha foi o conceito de marketing de tribo. Tribo é um grupo de pessoas que se identifica com uma marca, um produto, hobby ou causa social. Segundo os especialistas, se você conseguir reunir um grupo de 1000 pessoas com a mesma afinidade, você terá uma tribo para liderar. Vejamos alguns exemplos. Uma das tribos mais fascinantes é a dos piratas. Eles têm a sua própria bandeira com a caveira, e são malvados. pmSlide6 Outra tribo interessante é a dos motociclistas, e muitos deles também gostam de fazer o tipo malvado quando estão juntos. pmSlide8 Mas existem tribos realmente malvadas, que querem mudar o mundo à força. São as tribos do Talibã no Paquistão e Afeganistão, e que estão impedindo a conclusão do programa de erradicação da pólio no mundo. pmSlide7 Felizmente a maioria das tribos são pacíficas. Mesmo assim, muitas delas gostam do desafio. É o caso da tribo do Ironman. pmSlide9 E da tribo do balé. Ambos se dedicam com paixão à sua causa. Correndo, nadando, ou dançando. pmSlide10 A nossa tribo também é bastante apaixonada, e quer chamar a atenção para a nossa causa – a erradicação da pólio. Por isso, quando se reúne, usa a camiseta vermelha. (Até mesmo o bebê que está no canto da foto.) pmSlide11 Existe outra tribo que também gosta da cor vermelha. É a dos bombeiros. pmSlide12 E algumas corporações têm uma história para inspirar seus membros, que é assim. Havia um menino internado no hospital com uma doença sem cura. Ele tinha 6 anos. Daí sua mãe perguntou, “O que você gostaria de ser quando crescer?”, e ele respondeu, “Mamãe, eu sempre quis ser um bombeiro.” Naquele mesmo dia, ela foi até o Corpo de Bombeiros, explicou a situação e perguntou se seria possível seu filho dar uma volta no caminhão, em torno do quarteirão. O chefe dos bombeiros disse, “Podemos fazer mais que isso. Traga ele, e o faremos bombeiro por um dia.” No dia combinado, arrumaram um uniforme, vestiram o menino, e o colocaram sentado na parte de trás do caminhão. Ele estava no céu. Ocorreram vários chamados, e ele foi a todos. Passaram-se algumas semanas, e ele começou a ficar muito fraco, e então ficou claro que era chegada a hora da partida. Sua mãe, lembrando como foi importante aquele dia com os bombeiros, ligou para o chefe e perguntou se seria possível enviar alguém para o hospital, naquele momento. O chefe dos bombeiros respondeu, “Podemos fazer mais que isso.” Em pouco tempo, chegou um caminhão com uma escada Magirus, a estenderam até o quinto andar, e 16 bombeiros subiram até o quarto dele. Eles o abraçaram e falaram o quanto ele era corajoso. O garoto perguntou “Chefe, eu sou mesmo um bombeiro?” “Garoto, você é um dos melhores.” Com essas palavras, o menino sorriu, e fechou os olhos para sempre. “Podemos fazer mais que isso”, também passou a ser a nossa inspiração, e sabemos que isso só acontece quando existe paixão pelo que fazemos. E foi o que vimos de muitos de vocês, que não mediram esforços durante os 3 anos da campanha. Outra coisa que aprendemos é que uma pessoa não precisa ser um chefe para liderar. Quando as pessoas se identificam com a causa, elas naturalmente passam a seguir o líder. pmSlide13 O que vocês fariam se a escola em que vocês estudam fosse prá lá de ruim? Quando Isadora Faber, uma menina de 12 anos, moradora de Florianópolis, viu as péssimas condições da escola pública que começou a frequentar, ao invés de simplesmente ficar indignada, ela pensou, “Podemos fazer mais que isso”. Isadora criou uma fanpage no Facebook e passou a postar diariamente as péssimas condições da escola. Com isso, ela acabou reunindo uma legião de seguidores que se identificaram com o problema, e conseguiram fazer com que a Delegacia de Ensino se mobilizasse. Ela não fez isso sozinha. Foram ela e os 600.000 seguidores da fanpage. Ela não comprou espaço de publicidade no jornal. Ela não veiculou anúncio na TV. Ela usou apenas a Internet. Ficamos impressionados com esta história e com o poder das mídias sociais, e por isso criamos um site, uma fanpage no Facebook, um canal de vídeos no Youtube, e um livro da campanha também. pmSlide14 Vocês conseguem imaginar a dificuldade que era transportar um pulmão de aço, enorme, pesado, do tipo que ainda era usado no Brasil, durante as epidemias de poliomielite nos anos 70? Uma em cada 10 vítimas tinha que ser colocada num pulmão de aço para respirar. O que vocês fariam se fossem uma delas, e ficassem com o corpo inteiro paralisado, sem poder respirar sem o auxílio de aparelhos pelo resto da vida? Eliana Zagui e Paulo Henrique Machado vivem assim, na UTI do Hospital da Clínicas, desde os 2 anos de idade. Quando eles foram internados, foram colocados em pulmões de aço, daqueles antigos, ao lado de outras crianças paralisadas pela pólio. Hoje, eles são os últimos sobreviventes. Ainda vivem ligados a respiradores artificiais. Eliana e Paulo ficaram famosos depois que ela foi ao Programa do Jô. Ao invés de se conformar com sua condição de paralisia, ambos pensaram, “Podemos fazer mais que isso”. pmSlide15 Eliana move somente a cabeça e usa a boca para pintar. Ela faz pinturas que viram cartões postais, e que são vendidos no mundo inteiro pela organização internacional “Pintores com a Boca e os Pés”. Ela também escreve. Escreveu um livro, e o segundo já está a caminho. E o Paulo também não deixa por pouco. Ele está produzindo um desenho animado em computação gráfica, onde os heróis são duas crianças em cadeiras de rodas. pmSlide16 Eliana e Paulo têm suas próprias tribos com muitos seguidores que os acompanham em seu desafio de viver o dia a dia. Eles são verdadeiros guerreiros, e inspiram muita gente com o seu exemplo de coragem e amor à vida. Como muitos de vocês, a primeira coisa que faço, quando recebo a Revista Brasil Rotário, é abrir a última página e ler as piadas. Em seguida, volto algumas páginas e procuro as notícias publicadas pelos Rotary Clubs do país, e conto quantos deles estão usando a camiseta vermelha da campanha. Isso vem aumentando cada vez mais, e ficamos satisfeitos em saber que fazemos parte disso. pmSlide20 A Brasil Rotário tem 12 edições mensais por ano. Desde que começamos a campanha, conseguimos publicar 3 artigos de capa na revista e um artigo principal no encarte Global Outlook, que saiu em vários idiomas, no mundo inteiro. E isso também nos faz pensar que estamos no caminho certo. Em 2013, conseguimos trazer, para a campanha mundial, a super modelo Isabeli Fontana, que esteve agora na Índia pelo Rotary para fazer um vídeo, que será exibido na Convenção Internacional em SP. pmSlide17 Em 2014, tivemos a adesão dos Distritos 4740 e 4650, do nosso estado, à campanha End Polio Now Santa Catarina. Trata-se de um grande desafio de mobilização, afinal são 3 distritos, 150 clubes, e mais de 3500 rotarianos. Mas já temos um primeiro resultado que é a parceria com o Parque Beto Carrero, onde faremos o Dia Mundial da Pólio, e parte da receita será doada pelo Beto Carrero à nossa campanha. pmSlide18 Em 2015, daremos mais um passo importante. No dia 8/6 será o nosso Workshop na Convenção Internacional do Rotary, onde teremos a participação especial do Dr. Tunji Funsho, Presidente da Comissão Nacional Polio Plus da Nigéria. pmSlide19 Nesses 3 anos de campanha, os nossos Rotary Clubs conseguiram arrecadar mais de R$ 200.000,00, até agora. São mais de 120.000 doses adquiridas, transportadas e ministradas da vacina, ou 240.000 gotinhas.

240000gotinhas

Mas como é que está a situação da pólio no mundo, agora? Os últimos redutos do vírus da doença são os mesmos que abrigam os piores conflitos com grupos terroristas. A Nigéria tem tido sucesso em conter o Boko Haram, e com a vacinação das crianças das áreas antes ocupadas por eles, está sem nenhum caso da doença há quase 1 ano. O mesmo acontece no Afeganistão, após a fuga do Talibã para o Paquistão. Os poucos casos que ainda ocorrem vêm do Paquistão, – praticamente o último país com o vírus da pólio, agora. Contudo, lá, o Talibã continua impedindo a vacinação das crianças, matando os vacinadores inclusive. pmSlide21 Podemos dizer que o mapa da pólio hoje é o mapa da violência no mundo atual. Mas o mundo como um todo não pode falhar. Se não conseguirmos erradicar a pólio, não será somente o futuro dessa doença que estará em jogo, mas o de várias outras. Se não conseguirmos erradicar a pólio, não será somente o Rotary que terá fracassado. Será a humanidade como um todo, que terá demonstrado que foi incapaz de combater um inimigo comum, que aflige a todos. O futuro está em nossas mãos. E é por isso que o Rotary convida a todos para unirmos forças, com a mensagem “Faça parte da história”. pmSlide23 Para encerrar, quero agradecer a todos vocês que estiveram conosco nesses 3 anos de campanha, e em especial aos nossos Governadores Distritais Nilson Algarves, César de Menezes e Silvio César dos Santos Rosa, que trabalharam incansavelmente para nos apoiar e apoiar a campanha. Juntos conseguimos fazer muito. Mas, como sempre, “Podemos fazer mais que isso.” Daqui a 2 meses termino a minha gestão à frente da campanha, por isso gostaria de fazer um último pedido. Continuem apoiando a campanha, porque precisamos acabar com a pólio, e porque falta só isto.

Muito obrigado.

Wan Yu Chih
Presidente da Subcomissão Distrital Pólio Plus Rotary Distrito 4651
Palestra proferida na Conferência Distrital 2015 do Rotary Distrito 4651

Esperança de um futuro sem pólio

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Entrevistamos Abdulrahman Olatunji Funsho, que desde 2013 é o presidente da Comissão Nacional Polio Plus da Nigéria, um dos três países onde a poliomielite ainda é endêmica. A matéria foi publicada na Revista Brasil Rotário e é ilustrada com imagens cedidas pelo fotógrafo Tadej Znidarcic. Esloveno radicado em Nova York, ao final da matéria, ele conta como foi realizar esse trabalho a convite de rotarianos nigerianos.

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Um país cada vez mais perto de reescrever seu futuro. Nigéria vira o jogo e pode interromper em breve a transmissão do vírus.

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Wan Yu Chih *
Fotos: Tadej Znidarcic

Mais conhecido como Tunji Funsho, ele estudou medicina em sua terra natal e pós-graduou-se na Royal Medical School, em Londres, e na Harvard Medical School, em Boston. Depois de completar sua residência e trabalhar como cardiologista no Reino Unido, Funsho retornou à Nigéria, onde atuou como médico e passou a integrar o Conselho de Saúde Pública em Lagos e Kano. Em 1985, ele associou-se ao Rotary Club de Kano.

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Tunji Funsho, presidente da Comissão Nacional Polio Plus da Nigéria.

BRASIL ROTÁRIO: Como você entrou no Rotary e qual é a sua rotina diária como presidente da Comissão Nacional Polio Plus da Nigéria?

TUNJI FUNSHO: Ao longo de dois anos, um amigo meu já falecido, Sam Jabba, me chamou diversas vezes para participar como convidado das reuniões do Rotary Club de Kano, ao qual ele era associado. Como naquele tempo a minha vida profissional era muito ocupada, não tinha como ingressar no clube, o que só aconteceu em 1985, quando o ritmo das minhas atividades diminuiu. Meu dia começa normalmente às 5 da manhã, com uma oração. Em seguida escrevo as mensagens matinais que divulgo no Facebook e no WhatsApp. Dou então continuidade ao planejamento da minha agenda. Em seguida, respondo a emails e saio para uma caminhada com meu cachorro, Lapis. Retorno e me preparo para as atividades diárias, que envolvem reuniões, quase sempre relacionadas à erradicação da pólio, à gravação de um programa de rádio do Rotary e ao trabalho geral no escritório do Programa de Erradicação da Pólio. Isso tudo eu faço quando não estou na estrada participando de reuniões ou observando atividades de campo relacionadas à erradicação. Há dois anos, todo mundo pensava que a Nigéria seria o último país a erradicar a poliomielite.

Agora, a situação mudou, e pode ser que a transmissão do vírus seja interrompida nos próximos meses. O que aconteceu e quais são os maiores obstáculos que vocês ainda precisam enfrentar?

Acredito que a principal mudança positiva foi a criação da força-tarefa presidencial para a erradicação da pólio, o que indica o envolvimento do governo federal com a questão. Isso resultou na organização do Centro Nacional de Operações Emergenciais da Pólio (EOC) em Abuja, capital do país, e em mais sete Estados de alto risco. O EOC é o quartel da guerra contra o vírus, onde os técnicos de todas as instituições envolvidas no trabalho – OMS, Unicef, Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, Fundação Gates e Rotary – reúnem-se diariamente para planejar, elaborar estratégias e implementar atividades relacionadas à Iniciativa Global de Erradicação da Pólio, com informações de campo em tempo real e a possibilidade de intervenções rápidas. Desde 2003, todas as eleições na Nigéria resultaram no abandono do programa de erradicação da pólio e das atividades voltadas à prevenção de novos surtos no país.

Em fevereiro de 2015, haverá novas eleições. Você se preocupa com a possibilidade de um outro recuo das autoridades?

Nosso receio de que as experiências anteriores se repetissem nos levaram a convocar em abril do ano passado uma reunião de cúpula nacional contra a pólio para alertar todas as partes interessadas sobre a necessidade de mantermos os olhos focados nessa questão. Isso tem sido eficaz, porque desde então os recursos foram liberados e a liderança política, tradicional e religiosa do país seguiu demonstrando seu apoio ao programa com envolvimento efetivo.

“A principal mudança positiva foi a criação da força-tarefa presidencial para a erradicação da pólio, o que indica o envolvimento do governo federal com a questão”

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Por conta das falhas de registro das imunizações prévias e de problemas como desnutrição e diarreia, as crianças nigerinas precisam de um número maior de gotinhas contra a pólio.

Na maioria dos lugares do mundo, três ou quatro doses da vacina oral contra a pólio são suficientes para imunizar as crianças. Na Nigéria, no entanto, as crianças precisam de muito mais doses. Por quê?

Como muitas vezes não temos registros das imunizações prévias, esse procedimento garante que nenhum menino ou menina fique sem a proteção adequada. Além disso, por conta da desnutrição e da diarreia, é preciso que a vacina seja dada com mais frequência para proporcionar a imunidade necessária.

Em 2014 a Nigéria enfrentou alguns casos de ebola. Quais os impactos dos esforços de contenção do ebola sobre as campanhas de imunização contra a pólio na África?

A epidemia de ebola ressaltou a necessidade de não sermos complacentes em casos assim. Até agora, não houve qualquer impacto negativo sobre o programa de erradicação da pólio na Nigéria. Na verdade, algumas das nossas estruturas de combate ao poliovírus foram utilizadas no enfrentamento ao vírus do ebola. A imunização sincronizada, em larga escala e feita através das fronteiras, foi levada a cabo na África Ocidental e na África Central. Isso tem sido um grande sucesso.

Como voluntário, você também preside uma ONG para ajudar crianças com paralisia cerebral, mesmo sendo cardiologista. Como você acabou envolvido nessas causas?

O Rotary é uma organização maravilhosa, que envolve as pessoas com as necessidades de suas comunidades. Como líderes comunitários, os rotarianos são facilmente identificados e convidados a se envolver em mais atividades filantrópicas. O fundador e CEO da Benola, essa organização de apoio aos portadores de paralisia cerebral da qual participo, me chamou para ajudar como presidente do conselho consultivo. Minhas experiências como médico e rotariano são de grande valor na assistência à Benola em sua missão de garantir uma vida melhor às pessoas que vivem com paralisia cerebral. Elas precisam saber que não estão sozinhas.

A missão do Rotary é promover a compreensão mundial, a boa vontade e a paz. Como essa missão é manifestada na luta do Rotary contra a pólio e como os nigerianos veem nossa organização?

Eu acredito que nossos esforços para erradicar a poliomielite nos têm dado mais visibilidade, respeitabilidade e reconhecimento por parte dos líderes mundiais. Isso nos coloca em um bom lugar para intervir em outras áreas quando a pólio for erradicada. Cada vez mais, o Rotary é visto como um agente de mudança positiva, não apenas em relação à poliomielite, mas também em nossas outras áreas de enfoque, que incluem saúde e saneamento, saúde materno-infantil, alfabetização e educação, redução da pobreza, e prevenção e resolução de conflitos.

Que mensagem você gostaria de deixar para os rotarianos e os brasileiros em geral?

Por conta dos seus esforços e do sucesso conquistado até agora na erradicação da pólio e na promoção da paz por meio do companheirismo, os rotarianos devem ter orgulho de fazer parte dessa grande organização. Para os rotarianos no Brasil, quero dizer muito obrigado por seus contínuos esforços em nos apoiar, inclusive angariando fundos. Vocês devem continuar a apoiar o programa de erradicação da pólio até que esse trabalho esteja concluído.

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Sobreviventes da poliomielite disputam partida de futebol, esporte mais popular do país.

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Histórias socialmente envolventes

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Autor das imagens que ilustram esta matéria, fotógrafo esloveno Tadej Znidarcic comenta trabalho na Nigéria e em outros países.

“O trabalho que o Rotary está fazendo para combater a pólio é muito nobre e imensamente importante. Eu estava feliz por poder documentá-lo e tornar as pessoas mais conscientes a esse respeito”

BRASIL ROTÁRIO: Como surgiu seu interesse em documentar a poliomielite na Nigéria?

TADEJ ZNIDARCIC: Eu estava passando um tempo em Lagos quando vi na BBC uma reportagem sobre as vítimas da pólio em Kano e as atividades de uma associação local de apoio aos sobreviventes da doença. Achei o trabalho deles incrível e quis colaborar com a divulgação, documentando-o fotograficamente. Acabei fazendo contato com Uday Pilani, um rotariano que, na época, morava em Kano. Ele me convidou para viajar a Kano e conhecer os membros da associação.

Por que você aceitou o convite para colaborar com o Rotary?

O trabalho que o Rotary está fazendo para combater a pólio é muito nobre e imensamente importante. Eu estava feliz por poder documentá-lo e tornar as pessoas mais conscientes a esse respeito. Enquanto estava em Kano, presenciei uma das campanhas nacionais de vacinação. Foi inspirador ver as equipes de imunização em ação, protegendo a saúde das crianças. Depois eu também fotografei a campanha de imunização em Uganda.

O que mais chamou sua atenção na Nigéria?

Passei a maior parte do tempo na cidade de Lagos. Fiquei impressionado com seu tamanho e com a quantidade de pessoas que vivem lá. Há sempre muita vibração, tráfego congestionado, gente indo para algum lugar. Eu gostava muito daquela agitação. Infelizmente, segurança também é um problema, então eu tinha que estar mais alerta que o habitual. Mas as pessoas foram muito simpáticas e estou feliz por ter feito alguns bons amigos por lá.

Você já sentiu medo de fazer seu trabalho em algum lugar do mundo?

Não, nunca tive medo. Apenas algumas vezes suspeitei que meu equipamento estava atraindo atenção indesejada, então acabei mudando de local. Isso aconteceu uma vez na Nigéria e também na Albânia.

Você tem trabalhado em projetos na Nigéria, Uganda, Ruanda, Bangladesh e Kosovo. Existe um denominador comum que liga o seu trabalho a esses lugares?

Sempre fui interessado nas forças sociais, econômicas e políticas que influenciam a vida das pessoas. Gosto de trabalhar com histórias socialmente envolventes e que têm também
carregam algo de positivo. Gosto de conhecer e contar a história de pessoas que provocam mudança e que sabem persistir diante de situações difíceis. (WYC)

NA INTERNET
www.tadejznidarcic.com

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*O autor é presidente da Subcomissão Polio Plus do Rotary no distrito 4651 (Santa Catarina) e associado ao Rotary Club de Florianópolis.

Publicado na edição de fevereiro de 2015 da Revista Brasil Rotário.

O Rotary na ONU

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Como é que o Rotary, uma organização privada sem fins lucrativos, formada por cidadãos comuns como nós, conseguiu se aliar à OMS e o UNICEF em 1988 para erradicar a pólio no mundo?

Em 1943 a Europa estava quase toda destruída por causa da Segunda Guerra Mundial. Mesmo assim, prevendo o fim da guerra, Rotary Clubs de 21 países organizaram uma conferência em Londres com os Ministros da Educação dos países aliados para criar uma visão para reconstrução da educação, ciência e cultura.

Dois anos depois, em abril de 1945, 49 Rotarianos foram à San Francisco para ajudar a redigir a Carta de Criação das Nações Unidas. O convite foi feito pelo Governo dos Estados Unidos, em reconhecimento aos projetos que os Rotarianos vinham realizando para o desenvolvimento da paz e boa vontade entre os povos. Com 7.000 Rotary Clubs em mais de 80 países, na época, o Rotary já era uma das maiores organizações não governamentais do mundo.

O evento de Londres acabou sendo o precursor da UNESCO, fundada em 1946. E como resultado da participação do Rotary no encontro de San Francisco em 1945, foi decidido que além da manutenção da paz e segurança mundial, as causas que levam os povos à agressão e à guerra, como a pobreza, ignorância e o desrespeito aos direitos humanos, também deveriam ser abordadas pela ONU. Estas viriam a ser objeto do Conselho Econômico e Social (ou ECOSOC), um dos principais órgãos da ONU. Além disso, o Rotary conseguiu incluir um artigo na Carta de Criação das Nações Unidas, que permitia a participação das organizações não governamentais no Conselho.

Destinado à promoção da cooperação econômica e social internacional, e do desenvolvimento dos países membros através das agências da ONU, o ECOSOC é formado por 54 membros eleitos pela Assembleia Geral da ONU. O Rotary participa do Conselho como membro consultivo com o grau “Status Consultivo Geral”, o mais alto conferido pela ONU para grandes organizações não governamentais internacionais. Com isso, o Rotary pode manifestar seus pontos de vista em conferências e reuniões, circular documentos, ou incluir itens na agenda, mas não possui direito a voto – prerrogativa exclusiva dos países membros. O Rotary possui uma sala na sede das Nações Unidas e 10 representantes no ECOSOC, além de representantes em diversas agências da ONU, como a OMS, UNESCO, FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), WPF (Programa Mundial de Alimentos) e Banco Mundial.

A ONU acabou sendo criada em outubro de 1945, durante a primeira Assembleia Geral realizada em Londres, mas ela ainda não tinha uma sede permanente. O Rotary Club de Nova Iorque teve um papel essencial para trazer a ONU para aquela cidade, e desde então, o Rotary e as Nações Unidas têm sido parceiros próximos. Com a criação da ONU, o Rotary instituiu a semana de 24 de outubro como a Semana da ONU, para que Rotary Clubs do mundo inteiro promovessem a ONU como instrumento de busca da paz e resolução de conflitos. Quatro décadas após, em 1988, o Rotary, em parceria com as agências da ONU, a OMS e o UNICEF, lançava o programa de erradicação global da poliomielite. Com isso, o dia 24 de outubro foi escolhido pelo Rotary para celebrar o Dia Mundial da Pólio, em homenagem à Jonas Salk, cientista que descobriu a primeira vacina contra a pólio, nascido nesse mês. Assim, o Rotary passou a realizar o Dia do Rotary na ONU em novembro. Nesta data, Rotarianos e dirigentes da ONU, e suas agências, passam o dia na sede das Nações Unidas discutindo os principais temas humanitários que unem as duas organizações em prol de um mundo melhor. O Rotary é a única ONG participante da ONU a ter esse privilégio. No último Dia do Rotary na ONU, Gary Huang, atual presidente mundial do Rotary, afirmou, “De certa forma, somos uma mini Nações Unidas” e lembrou as comemorações que teremos este ano – dos 110 anos da fundação do Rotary e dos 70 anos da criação da ONU.

Faça parte da história também. Junte se a nós. Acabe com a pólio, agora!

Campanha End Polio Now Santa Catarina