Podemos fazer mais que isso

Bom dia! É um prazer estar aqui com vocês para celebrarmos juntos a conclusão de mais um ano Rotário do nosso Distrito e, junto, celebrarmos 3 anos da Campanha End Polio Now Santa Catarina. Por isso, gostaria de aproveitar a oportunidade e fazer um relato das nossas principais conquistas, e compartilhar com vocês algumas coisas que aprendemos. Quando fomos convidados para assumir a Subcomissão Polio Plus do Distrito, podíamos ter proposto realizar uma ação ou outra, mas pensamos, “Por que não lançar uma campanha End Polio Now, em Santa Catarina?” Queríamos que o Distrito 4651 pudesse dar a sua devida contribuição ao enorme esforço promovido pelo Rotary no mundo, para acabar com essa doença, a paralisia infantil. pmSlide2 Como é que as pessoas não apoiariam a campanha em Santa Catarina, já que, no mundo, ela teve tantas celebridades que apoiaram, alguns deles verdadeiros ídolos, como o Nelson Mandela, que iniciou os dias nacionais de imunização em todo continente africano. Não somos Mandela, por isso, sabíamos que os objetivos da nossa campanha seriam desafiadores. O primeiro, o de divulgar a causa, envolveria a tirar a pólio do esquecimento, uma doença que a maioria das pessoas por aqui não vê mais, e nem sabe o que é. Outro objetivo era o de arrecadar para a causa. Muita gente acha difícil doar dinheiro para pessoas estranhas, mesmo sendo crianças, de países que nem conhecem. Mas por onde começar? Foi quando nos lembramos de uma pequena história, que era assim. Ela se passa em Paris. Havia um cego sentado na calçada com um chapéu no chão, e um pequeno quadro negro com uma anotação em giz: “Ajude um cego”. pmSlide3 Um publicitário parou e viu o chapéu vazio. Sem pedir licença, pegou o quadro, apagou, escreveu uma nova mensagem, e foi embora. No final do dia, o publicitário retornou. Agora, o chapéu estava cheio de moedas e notas de dinheiro. Sentindo a sua presença, o cego perguntou, “O que foi que você escreveu?” O publicitário respondeu, “Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras”. Sorriu e foi embora. O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia: “Hoje é Primavera em Paris, e não posso vê-la”. pmSlide4 Ficamos impressionados com o poder da mensagem, quando escrita de modo a inspirar as pessoas. E a mensagem que passamos a usar em nossa campanha foi a mesma que o Rotary escreveu em 2007, quando lançou a campanha mundial End Polio Now, “Faça parte da história.” pmSlide5 Outra coisa que nos ajudou na campanha foi o conceito de marketing de tribo. Tribo é um grupo de pessoas que se identifica com uma marca, um produto, hobby ou causa social. Segundo os especialistas, se você conseguir reunir um grupo de 1000 pessoas com a mesma afinidade, você terá uma tribo para liderar. Vejamos alguns exemplos. Uma das tribos mais fascinantes é a dos piratas. Eles têm a sua própria bandeira com a caveira, e são malvados. pmSlide6 Outra tribo interessante é a dos motociclistas, e muitos deles também gostam de fazer o tipo malvado quando estão juntos. pmSlide8 Mas existem tribos realmente malvadas, que querem mudar o mundo à força. São as tribos do Talibã no Paquistão e Afeganistão, e que estão impedindo a conclusão do programa de erradicação da pólio no mundo. pmSlide7 Felizmente a maioria das tribos são pacíficas. Mesmo assim, muitas delas gostam do desafio. É o caso da tribo do Ironman. pmSlide9 E da tribo do balé. Ambos se dedicam com paixão à sua causa. Correndo, nadando, ou dançando. pmSlide10 A nossa tribo também é bastante apaixonada, e quer chamar a atenção para a nossa causa – a erradicação da pólio. Por isso, quando se reúne, usa a camiseta vermelha. (Até mesmo o bebê que está no canto da foto.) pmSlide11 Existe outra tribo que também gosta da cor vermelha. É a dos bombeiros. pmSlide12 E algumas corporações têm uma história para inspirar seus membros, que é assim. Havia um menino internado no hospital com uma doença sem cura. Ele tinha 6 anos. Daí sua mãe perguntou, “O que você gostaria de ser quando crescer?”, e ele respondeu, “Mamãe, eu sempre quis ser um bombeiro.” Naquele mesmo dia, ela foi até o Corpo de Bombeiros, explicou a situação e perguntou se seria possível seu filho dar uma volta no caminhão, em torno do quarteirão. O chefe dos bombeiros disse, “Podemos fazer mais que isso. Traga ele, e o faremos bombeiro por um dia.” No dia combinado, arrumaram um uniforme, vestiram o menino, e o colocaram sentado na parte de trás do caminhão. Ele estava no céu. Ocorreram vários chamados, e ele foi a todos. Passaram-se algumas semanas, e ele começou a ficar muito fraco, e então ficou claro que era chegada a hora da partida. Sua mãe, lembrando como foi importante aquele dia com os bombeiros, ligou para o chefe e perguntou se seria possível enviar alguém para o hospital, naquele momento. O chefe dos bombeiros respondeu, “Podemos fazer mais que isso.” Em pouco tempo, chegou um caminhão com uma escada Magirus, a estenderam até o quinto andar, e 16 bombeiros subiram até o quarto dele. Eles o abraçaram e falaram o quanto ele era corajoso. O garoto perguntou “Chefe, eu sou mesmo um bombeiro?” “Garoto, você é um dos melhores.” Com essas palavras, o menino sorriu, e fechou os olhos para sempre. “Podemos fazer mais que isso”, também passou a ser a nossa inspiração, e sabemos que isso só acontece quando existe paixão pelo que fazemos. E foi o que vimos de muitos de vocês, que não mediram esforços durante os 3 anos da campanha. Outra coisa que aprendemos é que uma pessoa não precisa ser um chefe para liderar. Quando as pessoas se identificam com a causa, elas naturalmente passam a seguir o líder. pmSlide13 O que vocês fariam se a escola em que vocês estudam fosse prá lá de ruim? Quando Isadora Faber, uma menina de 12 anos, moradora de Florianópolis, viu as péssimas condições da escola pública que começou a frequentar, ao invés de simplesmente ficar indignada, ela pensou, “Podemos fazer mais que isso”. Isadora criou uma fanpage no Facebook e passou a postar diariamente as péssimas condições da escola. Com isso, ela acabou reunindo uma legião de seguidores que se identificaram com o problema, e conseguiram fazer com que a Delegacia de Ensino se mobilizasse. Ela não fez isso sozinha. Foram ela e os 600.000 seguidores da fanpage. Ela não comprou espaço de publicidade no jornal. Ela não veiculou anúncio na TV. Ela usou apenas a Internet. Ficamos impressionados com esta história e com o poder das mídias sociais, e por isso criamos um site, uma fanpage no Facebook, um canal de vídeos no Youtube, e um livro da campanha também. pmSlide14 Vocês conseguem imaginar a dificuldade que era transportar um pulmão de aço, enorme, pesado, do tipo que ainda era usado no Brasil, durante as epidemias de poliomielite nos anos 70? Uma em cada 10 vítimas tinha que ser colocada num pulmão de aço para respirar. O que vocês fariam se fossem uma delas, e ficassem com o corpo inteiro paralisado, sem poder respirar sem o auxílio de aparelhos pelo resto da vida? Eliana Zagui e Paulo Henrique Machado vivem assim, na UTI do Hospital da Clínicas, desde os 2 anos de idade. Quando eles foram internados, foram colocados em pulmões de aço, daqueles antigos, ao lado de outras crianças paralisadas pela pólio. Hoje, eles são os últimos sobreviventes. Ainda vivem ligados a respiradores artificiais. Eliana e Paulo ficaram famosos depois que ela foi ao Programa do Jô. Ao invés de se conformar com sua condição de paralisia, ambos pensaram, “Podemos fazer mais que isso”. pmSlide15 Eliana move somente a cabeça e usa a boca para pintar. Ela faz pinturas que viram cartões postais, e que são vendidos no mundo inteiro pela organização internacional “Pintores com a Boca e os Pés”. Ela também escreve. Escreveu um livro, e o segundo já está a caminho. E o Paulo também não deixa por pouco. Ele está produzindo um desenho animado em computação gráfica, onde os heróis são duas crianças em cadeiras de rodas. pmSlide16 Eliana e Paulo têm suas próprias tribos com muitos seguidores que os acompanham em seu desafio de viver o dia a dia. Eles são verdadeiros guerreiros, e inspiram muita gente com o seu exemplo de coragem e amor à vida. Como muitos de vocês, a primeira coisa que faço, quando recebo a Revista Brasil Rotário, é abrir a última página e ler as piadas. Em seguida, volto algumas páginas e procuro as notícias publicadas pelos Rotary Clubs do país, e conto quantos deles estão usando a camiseta vermelha da campanha. Isso vem aumentando cada vez mais, e ficamos satisfeitos em saber que fazemos parte disso. pmSlide20 A Brasil Rotário tem 12 edições mensais por ano. Desde que começamos a campanha, conseguimos publicar 3 artigos de capa na revista e um artigo principal no encarte Global Outlook, que saiu em vários idiomas, no mundo inteiro. E isso também nos faz pensar que estamos no caminho certo. Em 2013, conseguimos trazer, para a campanha mundial, a super modelo Isabeli Fontana, que esteve agora na Índia pelo Rotary para fazer um vídeo, que será exibido na Convenção Internacional em SP. pmSlide17 Em 2014, tivemos a adesão dos Distritos 4740 e 4650, do nosso estado, à campanha End Polio Now Santa Catarina. Trata-se de um grande desafio de mobilização, afinal são 3 distritos, 150 clubes, e mais de 3500 rotarianos. Mas já temos um primeiro resultado que é a parceria com o Parque Beto Carrero, onde faremos o Dia Mundial da Pólio, e parte da receita será doada pelo Beto Carrero à nossa campanha. pmSlide18 Em 2015, daremos mais um passo importante. No dia 8/6 será o nosso Workshop na Convenção Internacional do Rotary, onde teremos a participação especial do Dr. Tunji Funsho, Presidente da Comissão Nacional Polio Plus da Nigéria. pmSlide19 Nesses 3 anos de campanha, os nossos Rotary Clubs conseguiram arrecadar mais de R$ 200.000,00, até agora. São mais de 120.000 doses adquiridas, transportadas e ministradas da vacina, ou 240.000 gotinhas.

240000gotinhas

Mas como é que está a situação da pólio no mundo, agora? Os últimos redutos do vírus da doença são os mesmos que abrigam os piores conflitos com grupos terroristas. A Nigéria tem tido sucesso em conter o Boko Haram, e com a vacinação das crianças das áreas antes ocupadas por eles, está sem nenhum caso da doença há quase 1 ano. O mesmo acontece no Afeganistão, após a fuga do Talibã para o Paquistão. Os poucos casos que ainda ocorrem vêm do Paquistão, – praticamente o último país com o vírus da pólio, agora. Contudo, lá, o Talibã continua impedindo a vacinação das crianças, matando os vacinadores inclusive. pmSlide21 Podemos dizer que o mapa da pólio hoje é o mapa da violência no mundo atual. Mas o mundo como um todo não pode falhar. Se não conseguirmos erradicar a pólio, não será somente o futuro dessa doença que estará em jogo, mas o de várias outras. Se não conseguirmos erradicar a pólio, não será somente o Rotary que terá fracassado. Será a humanidade como um todo, que terá demonstrado que foi incapaz de combater um inimigo comum, que aflige a todos. O futuro está em nossas mãos. E é por isso que o Rotary convida a todos para unirmos forças, com a mensagem “Faça parte da história”. pmSlide23 Para encerrar, quero agradecer a todos vocês que estiveram conosco nesses 3 anos de campanha, e em especial aos nossos Governadores Distritais Nilson Algarves, César de Menezes e Silvio César dos Santos Rosa, que trabalharam incansavelmente para nos apoiar e apoiar a campanha. Juntos conseguimos fazer muito. Mas, como sempre, “Podemos fazer mais que isso.” Daqui a 2 meses termino a minha gestão à frente da campanha, por isso gostaria de fazer um último pedido. Continuem apoiando a campanha, porque precisamos acabar com a pólio, e porque falta só isto.

Muito obrigado.

Wan Yu Chih
Presidente da Subcomissão Distrital Pólio Plus Rotary Distrito 4651
Palestra proferida na Conferência Distrital 2015 do Rotary Distrito 4651

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