Pesquisa animal salva vidas

whitelabmouse

Usar ou não animais em pesquisas médicas? A polêmica não é nova. Heloísa Dunchee de Abranches, carioca, foi casada com Albert Sabin, criador da vacina oral contra a pólio. Em 1995, dois anos após a morte do seu esposo, ela escreveu a seguinte carta a respeito para o Wall Street Journal.

“PESQUISA ANIMAL SALVA VIDAS HUMANAS”

Aquela cena [do filme] “Forrest Gump” em que o jovem Forrest foge correndo dos colegas de escola que o atormentam, o aparelho ortopédico de suas pernas [sequeladas pela pólio] voa aos pedaços e suas pernas fortalecidas o levam à segurança, pode ser a única imagem da epidemia de pólio dos anos 50 nas mentes dos que são jovens demais para se lembrar da devastação que a doença causava. Hollywood acabou criando uma cena de triunfo muito distante da realidade da doença.

Alguns daqueles beneficiados diretamente pelas pesquisas da pólio […] acham que vencer a guerra contra a pólio foi muito fácil. Eles abraçam um movimento que recusa o próprio processo que os torna possível buscarem uma saúde perfeita e um futuro promissor. A ideologia do “direito dos animais” […] rejeita o uso de animais de laboratórios na pesquisa médica e nega o papel que essas pesquisas tiveram na vitória contra a pólio. Os líderes desse movimento parecem ter se esquecido que ano após ano, no começo dos anos 50, as palavras “paralisia infantil” e “poliomielite” impingiram o enorme temor, entre os pais, de que a doença poderia atacar seus filhos durante o sono. Praias, playgrounds e salas de cinema eram lugares a serem evitados. As epidemias de pólio condenaram milhões de crianças e adultos a vidas em que pulmões debilitados não mais respirariam por si só, e membros ficariam sem vigor e debilitados. A doença recrutou pequenos exércitos de crianças em muletas e cadeiras de rodas, incapazes de caminhar, correr ou saltar. Nos EUA, a pólio derrubou aproximadamente 58.000 crianças somente em 1952. Diferentemente daqueles das pernas de Forrest Gump, os aparelhos de verdade poderiam ser substituídos somente quando crescessem as desaventuradas pernas da criança. Outras crianças e jovens adultos eram sepultados em pulmões de aço. A única visão do mundo que estes pacientes tinham era através dos espelhos por cima de suas cabeças. Contudo, há muito tempo que tudo isso não faz mais parte de nossa memória coletiva.

Albert [Sabin] estava na dianteira da pesquisa contra a pólio. Em 1961, depois de trinta anos de pesquisas com a pólio, sua vacina oral foi introduzida nos EUA e distribuida amplamente. Desde então, em quase 40 anos, a pólio foi erradicada no Hemisfério Ocidental, conforme a Organização Mundial da Saúde, que afirma ainda que com um esforço adicional, a pólio poderia ser eliminada do resto do mundo por volta do ano 2000.

Sem o uso de animais em pesquisa, a pólio poderia estar ainda ceifando milhares de vidas a cada ano. “Não haveria a vacina oral sem o uso de inúmeros animais, uma grande quantidade de animais”, Albert afirmou a um reporter antes morrer em 1993. […] Toda criança que pode experimentar os torrões de açúcar ou as gotas com a vacina Sabin nas últimas quatro décadas conhece a pólio somente como uma palavra, ou uma referência perdida em um filme de cinema. […] Entre os pioneiros da pesquisa da pólio estão não somente os cientistas mas também os animais de laborário que desempenharam um papel crítico para o fim da pólio e uma série de outras doenças para as quais hoje temos as vacinas e curas. Os animais ainda continuam a ser vitais para os cientistas que atuam no combate à dor, sofrimento e doença em nossas vidas. Esta é a realidade do progresso médico.”

De fato, o próprio Dr. Albert Sabin escreveu ao jornal da Associação Médica dos Estados Unidos em 1992:

“[…] minha própria experiência de mais de 60 anos em pesquisas biomédicas demonstra amplamente que sem o uso de animais e seres humanos, teria sido impossível se adquirir o conhecimento necessário para prevenir tanto sofrimento e morte prematura não somente de seres humanos mas também de animais. No meu artigo publicado em 1956 pela Associação Médica Americana […] afirmei que [somente] nos últimos quatro anos “aproximadamente 9.000 macacos, 150 chimpanzés e 133 voluntários humanos foram utilizados em estudos para se conhecer as características das diferentes cepas do vírus da pólio.” Estes estudos foram necessários para resolver vários problemas antes que uma vacina oral contra a pólio pudesse se tornar realidade.”

Editado e traduzido por End Polio Now Santa Catarina

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s