Estamos na reta final

É um privilégio estar aqui na presença das mais altas lideranças do Rotary do Estado de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Daqui a pouco, os Governadores dos três Distritos de Santa Catarina, Olavio Geverh do Distrito 4740, Celso de Camargo Campos do Distrito 4650 e Sílvio César Rosa dos Santos do Distrito 4651, estarão firmando o Compromisso de unir forças na etapa final da luta por um mundo livre da pólio.

O programa de erradicação da pólio é o maior projeto humanitário do Rotary, e é através dele que muitos como eu foram atraídos ao Rotary. É através dele que o Rotary deixou de ser conhecido somente como uma associação mundial de clubes de serviço, e passou a ser conhecido como uma organização humanitária global, ao lado de organizações como a OMS e o UNICEF, nossas parceiras do programa de erradicação.

Fadiga

A erradicação da pólio foi inspirada no sucesso da erradicação da varíola – a única conquistada pela humanidade até agora. Mas não se imaginava que a dificuldade de se erradicar a pólio seria bem maior que erradicar a varíola.

No início do programa, em 1988, havia 350 mil casos por ano. E no começo, o programa obteve rápidos resultados. O número de casos da doença foi caindo até chegar em 392, em 1996. Aí a onda de problemas começou, e o número de casos subiu. Em 2001, o número de casos havia caído novamente para perto de 400, mas depois subiu logo em seguida.

Em 2003, o número caiu para 784. Aí aconteceu o boicote à vacinação pelos líderes religiosos do norte da Nigéria, e o vírus acabou retornando a vários países da África. Com isso, o número de casos subiu novamente para perto de 2000 casos em 2005 e 2006. Então, os opositores começaram a propor a desistência do programa de erradicação.

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Em 2007, preocupada, e com base em um estudo de Harvard, a OMS declarou que seria melhor não desistir. Mas o desânimo já estava instalado – vacinadores, voluntários, comunidades, governos e doadores. Foi um período sombrio para o programa.

Foi quando a maior Fundação privada do mundo, pertencente ao homem mais rico do mundo, veio, disse que a pólio era a sua prioridade número um, e propôs um desafio ao Rotary: Bill Gates doaria ao Fundo Pólio Plus 100 milhões de dólares, aumentado logo depois para 350 milhões, se os Rotarianos doassem 200 milhões, totalizando assim US$ 550 milhões destinados ao combate à pólio.

A criação da End Polio Now

Foi como um raio de Sol após um tenebroso inverno. Para levantar o dinheiro, em fevereiro de 2008, no 103º aniversário de fundação do Rotary, as palavras “End Polio Now” foram projetadas na parede externa do Parlamento de Londres. Neste dia, o Rotary lançou aos Rotarianos do mundo inteiro o desafio de levantar o dinheiro. Cada Rotary Club recebeu a meta de contribuir com pelo menos US$ 1000 por ano, até conseguirmos o dinheiro, o que levou 4 anos.

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Apesar de termos concluído aquele desafio, o nome “End Polio Now” vem sendo usado desde então pelo Rotary no programa de erradicação. O nome está presente nas caixas de isopor que transportam as vacinas, visíveis em todos os países afetados pela doença.

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A Campanha End Polio Now Santa Catarina

Em 2012 o nosso Distrito resolveu lançar um projeto de âmbito distrital envolvendo todos os clubes sob a coordenação do Distrito, e criamos a campanha End Polio Now Santa Catarina. O objetivo foi o de divulgar e levantar recursos para a erradicação da pólio. E a iniciativa deu certo. Com a sinergia criada, os resultados alcançados foram bem superiores que os que seriam obtidos sem a união de esforços dos Rotary Clubs e sem um direcionamento comum.

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Mas conseguimos um outro resultado. A iniciativa trouxe visibilidade para o Distrito, o que nos vem permitindo fazer outras coisas muito interessantes para a campanha.

Conseguimos a modelo Isabelli Fontana para o Maior Comercial do Mundo. Conhecida mundialmente, ela ajudou a levar a mensagem da erradicação da pólio junto ao público feminino e no mundo da moda.

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Desde 2012, a Revista Brasil Rotário vem publicando uma matéria especial a cada ano, feita em parceira conosco. Fomos capa da Revista com os Rotarianos entrando em campo com o time do Avaí. No ano seguinte, fomos novamente capa da Revista, com a nossa entrevista com o médico Ajmal Pardis, Presidente da Comissão Nacional Pólio Plus do Afeganistão.

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Em 2014, a nossa entrevista com o Dr. Ciro de Quadros, depois de publicada na Revista Brasil Rotário, foi adotada pela Revista Oficial do Rotary International, a The Rotarian, e foi publicada mundialmente como “Global Outlook da Pólio” em 8 idiomas, em 30 revistas regionais do Rotary. E em fevereiro do ano que vem, a Brasil Rotário irá publicar a nossa entrevista com o médico Tunji Funsho, Presidente da Comissão Nacional Pólio Plus da Nigéria. Temos conseguido também todas as imagens que ilustram as matérias.

Desde o início, tivemos a preocupação de criar uma fonte acessível de informações para que os clubes do nosso Distrito, e de outros, pudessem utilizar para organizar suas campanhas. Desde então, mantemos um site da campanha, com um manual do apoiador, artefatos de campanha, materiais de treinamento e palestras. Temos um canal do Youtube, com mais de 100 vídeos legendados por nós, em português, sobre a pólio. Temos o livro da campanha, que é o único do Rotary existente na atualidade. E temos uma fanpage no Facebook para postar as últimas notícias da campanha, dos fans e do programa de erradicação no mundo.

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É difícil explicar a emoção que sentimos quando fazemos uma retrospectiva de tudo o que foi feito. Mas queremos compartilhar essa emoção com os companheiros aqui presentes através de um pequeno vídeo de 5 minutos de duração.

Etapa Final

Estamos na reta final, agora. Como vocês sabem, em 2013, a OMS publicou o plano para a etapa final do programa de erradicação, que prevê que o último caso da doença deveria acontecer em junho de 2015, e depois disso haveria um período de vigilância de três anos sem a doença para que o mundo pudesse ser certificado livre da pólio em 2018. Para isso, o orçamento da etapa final é de 5,5 bilhões de dólares – mais que a metade dos 10 bilhões que foram gastos desde 1988 ate aqui.

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A última etapa do programa de erradicação é a mais difícil de todas. Isso porque é na última etapa que restam os locais mais difíceis de se chegar com a vacina, sem falar na introdução da vacina injetável nesse final do programa.

PAIN

A uns anos atrás, dizia-se que para acabar com a pólio precisaríamos acabar com o vírus nos países endêmicos do “PAIN” (dor em inglês) – Paquistão, Afeganistão, Índia e Nigéria. Pois bem. A Índia foi certificada livre da pólio no início deste ano. A Nigéria está sem nenhum caso da doença desde julho, e no total foram 6 casos este ano. Estamos na expectativa de que 2014 seja o último ano da pólio na Nigéria. O Afeganistão, por sua vez, já deveria estar livre da doença e só não consegue devido à sucessiva invasão do vírus pela fronteira do Paquistão.

O Paquistão é o mais preocupa. Do total de 291 casos de paralisia no mundo este ano, 246 são do Paquistão. É ele que dirá quando conseguiremos acabar com a doença.

O nosso maior inimigo

Nessa longa batalha, o vírus não é o maior inimigo. O maior inimigo é o esquecimento. O fato da doença estar afastada da maioria dos países desenvolvidos há mais de 20 anos, como é o caso do Brasil, faz com que ela se torne uma coisa distante, perdida no passado, e que não traz mais risco para as nossas crianças. E para combater o esquecimento, devemos estar preparados para responder a duas questões que sempre são levantadas.

Não é melhor desistir?

A cada ano, milhões de pessoas morrem vítimas de doenças preveníveis – tuberculose, sarampo, diarreia, malária e outras. Então, não seria melhor desistir da erradicação da pólio e destinar os recursos para essas doenças?

Isso simplesmente não é possível. Alcançamos essa situação de poucos casos, porque temos doadores colocando 1 bilhão de dólares por ano, e que não necessariamente colocariam esse dinheiro, de imediato, em outros programas, porque vacinadores estão arriscando suas vidas, entrando em locais de difícil acesso ou infestados por militantes extremistas, e porque organizações humanitárias como o Rotary estão mobilizadas e empenhadas nisso. Ao todo, são 20 milhões de pessoas envolvidas no programa, entre voluntários, vacinadores e profissionais da saúde pública.

Além disso, com as viagens aéreas, o mundo se tornou uma pequena aldeia. Enquanto houver um único caso de pólio em algum lugar do planeta, todas as crianças do mundo estarão correndo risco. Tivemos uma prova disso durante a Copa, quando o vírus da pólio foi detectado nadando no esgoto do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, e se descobriu, pelo sequenciamento genético, que o mesmo tinha vindo da Guiné Equatorial, país reinfectado com a doença no ano passado.

Se pararmos agora, além do retorno da pólio aos países hoje livres dela, perderemos todo o dinheiro investido até aqui, além do dinheiro já obtido para ir até o fim. E pior, a perda de confiança nas instituições envolvidas, entre elas, o Rotary, prejudicaria por muitos anos outras iniciativas de peso iguais a essa. Por isso, é melhor ir até o fim e acabar de vez com essa doença.

E por que ajudar pessoas de longe?

Outra questão que é sempre levantada se refere à ajuda a pessoas de outros países mais pobres que o nosso. Então imagine o seguinte. Um belo dia você está caminhando à beira de um lago, e vê uma pequena menina se afogando. Você para, olha em volta, e não vê ninguém. Você entraria na água para salvá-la? Claro que sim. Mas, e se esse lago estivesse na África? E se ao invés disso, essa criança estivesse correndo o risco de ficar paralítica para sempre por causa do vírus da pólio? Se você soubesse que não há ajuda por perto, e se você pudesse fazer alguma coisa, você faria? Através do Rotary, podemos.

Juntos podemos fazer mais

Caros Governadores, bem vindos à Campanha End Polio Now Santa Catarina! Com a sua decisão de unir esforços, juntos seremos mais de 150 Rotary Clubs, e mais de 3000 Rotarianos no Estado de Santa Catarina irmanados na luta por um mundo livre da pólio. Juntos podemos fazer mais. Acabe com a pólio, agora!

Obrigado.

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Palestra proferida no REGOESC 2014 – Reunião dos Governadores Distritais do Rotary de Santa Catarina.

Wan Yu Chih
Subcomissão Distrital Polio Plus
Rotary Internacional Distrito 4651

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