Por que insistimos em acabar com a pólio?

Dos 350.000 casos anuais que tínhamos quando iniciamos o programa de erradicação em 1988, chegaremos em 300 este ano. Isso já seria uma prova de sucesso. Porém, muitos perguntam – não seria melhor deixar a pólio como está e combater outras doenças que matam muito mais? Ou se não seria melhor ajudar as pessoas daqui, ao invés de pessoas em países que nem conhecemos? Como é que uma doença consegue manter uma batalha viva há tanto tempo, e com tantos defensores, como pólio? E como é que o Rotary entrou nessa história? Para buscar respostas a essas questões precisaremos voltar ao passado.

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Nos países pobres, as vítimas são condenadas a se arrastar pelo chão ou morrer por asfixia.

Franklin Delano Roosevelt

Nossa estória começa em 1921. As epidemias de pólio nos EUA causavam pânico na população. A vacina ainda não havia sido inventada, e não se sabia como acontecia o contágio, por isso, as pessoas evitavam lugares públicos, e pesticidas eram pulverizados nas ruas, numa eventualidade do mosquito ser o transmissor da doença. Franklin Delano Roosevelt tinha 38 anos de idade quando foi vitimado pela pólio e ficou paralítico da cintura para baixo. Mesmo assim, com o auxílio de muletas e uma cadeira de rodas, elegeu-se Governador do Estado de Nova Iorque e, depois, como Presidente dos EUA, enfrentou desafios monumentais como a Grande Depressão de 33 e a Segunda Guerra Mundial. Todavia, outro desafio que ele enfrentaria nos deixaria um legado até hoje.

Nem todos podiam ter acesso aos tratamentos para vítimas da pólio. Por isso, quando Roosevelt assumiu a Presidência, criou uma ONG para cuidar das vítimas da pólio. A “Marcha dos Centavos” se tornou a maior do mundo na época, e em seu auge, chegou a ter mais de 3 milhões de voluntários. Conseguiu o apoio de astros de cinema e jogadores de baseball – Marylin Monroe, Elvis Prestley, Frank Sinatra, Marlon Brando, Joe DiMaggio. De moeda em moeda, fundou centros de assistência às vítimas, adquiriu pulmões de aço, e financiou a criação, não apenas de uma, mas de duas vacinas contra a pólio, a injetável e a oral. Mas infelizmente Roosevelt não viveria para ver as vacinas. Ele morreria em 1945.

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Um raro registro em que se vê Franklin Delano Roosevelt com aparelhos nas pernas.

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Marylin Monroe atuou na Marcha dos Centavos.

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A Marcha dos Centavos disponibilizou Pulmões de aço para as vitimas da pólio.

Jonas Salk e Albert Sabin

Nos anos 40, ainda conhecia-se muito pouco sobre a doença. A única coisa que se sabia era que a paralisia dos membros era devido à infecção da medula espinhal, e era causada por um vírus. Achava-se que o vírus ingressava no corpo pelo nariz, depois ia ao cérebro, e de lá ia para a medula espinhal. Isso foi um grande engano, que atrasou por muito tempo o desenvolvimento das pesquisas. Só depois de muitos anos é que se descobriu o caminho correto do vírus. Ele entra pela boca, vai até o intestino, onde se multiplica, entra na corrente sanguínea, chegando por fim na medula, causando a paralisia dos membros, ou do corpo inteiro. O vírus também sai pelas fezes, reinfectando o ambiente. Por isso, hoje, a doença está localizada nos países pobres, que sofrem com a falta de água limpa, e abundancia de esgoto a céu aberto.

Financiado pela Marcha dos Centavos, o cientista Albert Sabin buscava uma vacina feita com vírus vivos, abordagem preferida pela sociedade científica da época. Também financiado pela Marcha dos Centavos, Jonas Salk perseguia um caminho alternativo – uma vacina feita com vírus mortos. Foi uma corrida acirrada, mas Salk chegou na frente. Com a vacina pronta em 1954, ele conduziu um gigantesco teste nacional com mais de um milhão de crianças. Contudo, antes, como prova de confiança, ele injetou a vacina nos filhos, na esposa e em si mesmo. No teste, metade da população recebeu a vacina e metade um placebo. Um ano depois, o resultado havia ficado evidente. A vacina tinha funcionado. Da noite para o dia, Salk tornou-se um herói. Sua foto aparecia em capas de revistas e jornais. Quando viajava de avião, seu nome era anunciado pelo alto-falante e aplausos dos passageiros se seguiam.

Depois de alguns anos, com a diminuição do número de casos da doença nos EUA, a Marcha dos Centavos se retirou do cenário. Albert Sabin chegou depois de Jonas Salk, e sua vacina foi finalmente aprovada nos EUA em 1963. Apesar disso, foi a sua vacina oral, que anos mais tarde, permitiria que o mundo combatesse a doença em escala global. Mas depois, a vacina injetável voltou a ser adotada pelos países avançados e, nesta fase final do programa de erradicação, ela está substituindo a vacina oral nos demais países. É com a vacina de Jonas Salk que a pólio será finalmente erradicada. salk-sabin-1

Albert Sabin e Jonas Salk com Basil O'Connor, Presidente da Marcha dos Centavos.

Tanny LeClercq

Um ano depois de Salk descobrir a vacina, uma jovem bailarina de 27 anos, no auge da carreira, foi vitimada pela pólio. Ela era a primeira bailarina do Ballet de Nova Iorque. Primeiro, ela sofreu dores excruciantes até que suas pernas ficaram dormentes, e depois completamente paralisadas. E quando o vírus chegou ao diafragma, ela parou de respirar e, desesperadamente, foi colocada em um pulmão de aço.

Muitos acham que ela foi infectada durante uma tournée na Europa, em 1956, quando, por curiosidade, provou a água do canal de Veneza, para saber se era salgada. Como havia uma epidemia de pólio naquela época, antes da viagem, a direção da companhia tinha chamado as bailarinas para serem vacinadas. Mas ela, com medo da vacina, não foi. Ela sobrevive, mas nunca mais voltaria a subir no palco. Seu casamento se desfaz, e ela passa a viver o resto da vida em uma cadeira de rodas. Seu nome é Tanny Le Clercq e essa história está sendo contada em um filme que está passando nos EUA.

Em uma determinada altura do filme, é revelada uma grande ironia. Quando Tanny completou 15 anos, ela foi dançar em um show beneficente da Marcha dos Centavos, no Waldorf Astoria em Nova Iorque. A peça contava uma estória escrita pelo famoso coreógrafo Balanchine, com quem ela viria a se casar. Balanchine fez o papel do vilão — o vírus da pólio, e a Tanny fez o papel da vítima — uma bailarina perseguida e paralisada pela pólio. No final da peça, ela se recupera graças às doações da Marcha dos Centavos. Foi uma pena que a vida não repetiu a arte.

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Tanny LeClercq passou o resto da vida em uma cadeira de rodas. Ao fundo, George Balanchine.

Erradicação da varíola

Até hoje, a varíola é única doença erradicada, e que serviu de inspiração para os idealizadores da erradicação da pólio. A varíola foi a praga que mais dizimou em toda história da humanidade. Somente no século XX, 500 milhões de pessoas morreram em decorrência dela. Como a doença é prevenível por vacina, e o homem é o único hospedeiro e transmissor do vírus, com o último caso de varíola, o vírus deixou de existir.

Em 1796, na Inglaterra, o médico inglês Edward Jenner extraiu o pus da bolha do braço de uma moça infectada pela varíola bovina, e o inoculou no braço do filho do seu jardineiro, um garoto de oito anos. Passado um mês, ele inoculou, desta vez, o pus da bolha de uma vítima da terrível varíola humana no mesmo garoto, e constatou que ele estava imune à doença. Por isso, Jenner é considerado o inventor da primeira vacina do mundo.

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A varíola se alastra pelo corpo causando febre, hemorragia e falência dos órgãos.

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Certificado de erradicação da varíola em pergaminho de couro assinado em 1979.


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Em 1905, bezerros eram levados às ruas para produzir vacina contra varíola para a população.

Os erradicadores

Antes da conclusão da erradicação da varíola, a OMS e UNICEF lançaram, em 1974, um programa chamado EPI – Programa de Imunização Expandida. O EPI era um programa de vacinação de rotina que tinha como objetivo a redução de um conjunto de seis doenças preveníveis por vacinas: difteria, tétano, coqueluche, tuberculose e pólio. Contudo, era um programa ambicioso, e que na época, demorou a atrair o interesse de doadores.

Com o sucesso da erradicação da varíola, em 1979, surgiu um grupo de especialistas da saúde pública favoráveis a uma intervenção mais seletiva – a erradicação de doenças. Não é sempre que o mundo consegue eleger uma doença para ser erradicada. Até hoje, a poliomielite é uma das poucas que reúne os elementos essenciais para isso. Primeiro, é uma doença cujo agente infeccioso é encontrado somente no ser humano. Segundo, existem vacinas acessíveis para a sua prevenção. Terceiro, existe opinião pública favorável para o programa, inclusive de governos e doadores.

Ciro de Quadros

Mas entre a erradicação da varíola e a da pólio, a história teve que passar pelo Brasil e por alguns brasileiros. Logo ao se formar, um jovem médico gaúcho, chamado Ciro de Quadros, foi chefiar um posto de saúde em Altamira, no Pará, na época com 4.000 habitantes. Mal sabia ele que, mais tarde, o destino o colocaria para chefiar um programa de saúde para um continente inteiro. Muito hábil, em apenas um ano, ele conseguiu a proeza de elevar a taxa de cobertura da vacinação básica, em Altamira, de 50% para 100%.

Do Pará, Ciro foi ao Paraná trabalhar no programa de combate à varíola. A quantidade de vacinas disponível não era suficiente para toda população, e a quantidade de vacinadores menos ainda. Então, Ciro adotou um artifício. Eles procuravam as vitimas das doenças, e vacinavam todas as pessoas que haviam entrado em contato com elas. Isso chamou a atenção do Dr. Donald Henderson, chefe do programa global de erradicação da varíola, que levou Ciro de Quadros para chefiar o programa de erradicação na Etiópia, onde ficou por 7 anos até acabar com a doença no pais. Logo depois, o último caso de varíola foi descoberto e erradicado na Somália, e em apenas 13 anos após o início do programa de erradicação, a varíola havia sido eliminada da face da Terra.

Fim da pólio nas Américas

Em 1983, um médico brasileiro nascido no Piauí, chamado Carlyle Guerra de Macedo, assumiu a presidência da Organização Panamericana da Saúde (OPAS), e convidou Ciro de Quadros para dirigir o Programa de Imunização Expandida das Américas (o EPI). Sabedor das dificuldades em implantar o EPI, sobretudo em alguns países da América Latina, em conflito com guerrilheiros, Ciro resolveu destacar uma doença como a principal, para conseguir doadores e apoio ao Programa. A pólio foi escolhida, pois vários países da região já vinham combatendo a doença, inclusive o Brasil. Mas para isso ele precisaria de recursos financeiros.

Em 1979, o Rotary havia começado a financiar campanhas de imunização contra a pólio, de forma pontual, em alguns países da Ásia, África e América Latina. Albert Sabin, que assessorava o Rotary, ficou sabendo do plano da OPAS e levou o Rotary para falar com Ciro. Era a oportunidade que o Rotary esperava para ampliar a sua atuação no combate à pólio, e logo concordou em financiar as vacinas. Com isso, em 1985, foi lançado o Programa de Eliminação da Poliomielite da OPAS, na Região das Américas. Para levantar o dinheiro, o Rotary criou o Fundo Polio Plus e lançou o desafio aos Rotarianos do mundo inteiro de levantar 120 milhões de dólares. Em apenas dois anos, os Rotarianos tinham conseguido o dobro da quantia.

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Ciro de Quadros (centro) liderou a erradicação da varíola na Etiópia.

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Ciro de Quadros com Donald Henderson (esquerda), conhecido como o homem que erradicou a varíola.

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Ciro de Quadros com Albert Sabin, durante o programa de eliminação da pólio nas Américas.

Brasil, uma prova de conceito para a erradicação da pólio

O Brasil também teve um papel muito importante na história da poliomielite, pois provou que a vacina oral de Sabin poderia erradicar a pólio em países subdesenvolvidos com grandes extensões territoriais. À frente do programa de imunização à época estava o médico João Batista Risi Júnior, que passou a realizar com sucesso os Dias Nacionais de Vacinação, preconizados por Sabin e adotados pela OPAS em seu programa nas Américas. O Programa da OPAS, por sua vez, foi a prova de que seria possível se erradicar a pólio no mundo.

GPEI. Iniciativa Global para a Erradicação da Pólio

Antes mesmo de se alcançar a eliminação da doença nas Américas, a OMS resolveu criar um programa global, em parceria com o Rotary, UNICEF e o CDC. O GPEI, ou Iniciativa Global para a Erradicação da Pólio, foi lançado em 1988.

Na coalizão criada para a erradicação da pólio, coube ao UNICEF realizar as campanhas de vacinação, ao CDC criar e manter um sistema mundial de laboratórios para o monitoramento da doença, à OMS gerenciar o programa globalmente, e ao Rotary arrecadar e defender a causa.

A partir do lançamento, aconteceu uma sucessão de conquistas. Em 1994, a Região das Américas foi certificada livre da pólio. Em 2000, foi a vez da Região do Pacifico, e em 2002, a Região da Europa. Quando chegou a vez da África e da Ásia, os problemas começaram. Até então, estávamos lidando com países que tinham um certa infraestrutura de saúde pública, e algum recurso próprio. Apesar do programa ter começado em 88, até 1996 a África ainda não tinha iniciado as suas campanhas de vacinação. A partir de então, o Rotary começou a intensificar a busca de doadores junto aos governos do mundo, para o programa.

Índia, outra prova de conceito

Se o Brasil serviu como prova de conceito para iniciar o programa de erradicação global, a Índia passou a ser a prova de conceito de que poderíamos concluir o programa. Ninguém acreditava que seria possível acabar com a pólio naquele país, tamanha a pobreza e a quantidade de crianças que nasciam a cada dia. Mas em 2014, a Índia completou três anos sem um caso da doença, e a OMS certificou toda Região do Sudeste Asiático como livre da pólio. A última vez que uma Região havia sido certificada foi há 12 anos – a Região da Europa. Com a certificação da Região do Sudeste Asiático, a parcela da população mundial vivendo em áreas livres da pólio passou de 50% para 80%. Agora, das seis Regiões da OMS, faltam somente duas: a Região da África e a Região do Mediterrâneo Oriental.

End Polio Now!

No início do Programa, em 1988, haviam 350 mil casos por ano. Em 1996, o número de casos havia caído para 400, e depois subiu para 2300 casos, em dois anos. Em 2001, o número de casos havia caído novamente para 400, e depois subiu a quase 2000 casos, em apenas um ano. Em 2003, o número caiu para 700 e depois foi subindo até chegar novamente aos 2000 casos, em 2005. Foi quando os opositores começaram a propor a desistência do programa de erradicação.

Preocupada, em 2007, com base em um estudo de Harvard, a OMS declarou que seria melhor não desistir. Mas o desânimo estava instalado, e os doadores haviam desaparecido. Foi um período tenebroso para o programa. Mas eis que surge um novo parceiro. A maior fundação privada do mundo, pertencente ao homem mais rico do mundo, veio e propôs um desafio ao Rotary. Bill Gates doaria ao Fundo Polio Plus 100 milhões de dólares, o que foi depois aumentado para 350 milhões, se os Rotarianos doassem 200 milhões.

Foi como um raio de Sol após um tenebroso inverno. Em fevereiro de 2008, no 103º aniversário de fundação do Rotary, as palavras “End Polio Now” foram projetadas na parede externa do Parlamento de Londres. Neste dia, o Rotary lançou aos Rotarianos do mundo inteiro o desafio global de levantar o dinheiro. Cada Rotary Club recebeu a meta de contribuir com pelo menos US$ 1000 por ano, até conseguirmos o dinheiro, o que levou 4 anos.

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O símbolo da campanha End Polio Now foi projetado pela primeira vez em 2007, no Parlamento Inglês.

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Diversos monumentos receberam a projeção do símbolo da campanha, inclusive a Pirâmide do Egito.

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Santa Catarina também recebeu a projeção pública da End Polio Now, em Laguna.

Para onde vai o dinheiro que arrecadamos?

Desde quando foi criado, o Fundo Polio Plus foi usado para a compra de vacinas para os países com a doença. Mas a partir do final da década de 90, para facilitar a participação de outros doadores, o Rotary deixou de financiar as vacinas e passou a custear as operações das campanhas de vacinação da OMS e UNICEF nos países com a doença, em salários, transportes e armazenagem. Uma vacina comprada na fábrica custa 15 centavos de dólar por dose. Essa mesma vacina, depois de transportada, refrigerada e administrada em campanhas de vacinação, acaba custando 75 centavos de dólar por dose.

A erradicação da pólio é o maior projeto do Rotary. Nos últimos 10 anos, metade dos recursos anuais da Fundação Rotaria foram destinados ao Fundo Polio Plus. Nesses quase 30 anos que o Rotary combate a pólio, já doamos mais de 1,4 bilhão de dólares, e junto com a Fundação Gates somos de longe os maiores doadores privados do programa, com 20% de todo dinheiro arrecadado. Além disso, o Rotary levantou mais de 4 bilhões de dólares junto aos governos.

O que falta para acabarmos de vez com a pólio?

No ano passado, a OMS publicou o plano final do programa de erradicação, chamado “Fim de Jogo”. Segundo o plano, teríamos até junho de 2015 para observar o último caso de pólio, e depois passar por um período de três anos, até a comprovação definitiva do fim da doença.

E que precisa ser feito para acabarmos de vez com a pólio? Ao contrário dos episódios anteriores, pela primeira vez na história, temos tudo para acabar com a pólio. Temos a opinião pública a favor, as vacinas, um sistema mundial de vigilância da doença, métodos modernos de combate aos surtos (com telefones celulares, GPS e mapas obtidos por satélites), e uma legião de trabalhadores e voluntários para as campanhas de vacinação. Mas, sobretudo, temos o dinheiro. Dos 5,5 bilhões de dólares orçados para irmos até o fim, já temos 5. E os opositores da erradicação? Como contraponto definitivo, logo após a publicação do plano final da OMS, 453 cientistas, pesquisadores, Prêmios Nobel e autoridades, publicaram um manifesto divulgado ao mundo inteiro, apoiando o fim da pólio.

Falta somente uma coisa: chegar aos últimos redutos onde estão crianças que nunca foram vacinadas. Esses locais estão justamente nos últimos países endêmicos, ocupados por grupos extremistas que dificultam a imunização de crianças, inclusive matando vacinadores. Na Nigéria, temos o Boko Haram, no Afeganistão e Paquistão, o Talibã. A Nigéria descobriu uma forma de lidar com os extremistas. O Afeganistão também. Mas o Paquistão ainda não.

Precisamos acabar com o vírus nesses três países para acabar com a doença no mundo. Pensava-se que a Nigéria viesse a ser o último país a se livrar da pólio. Mas ela vem obtendo um ótimo desempenho e teve apenas 6 casos este ano. Espera-se que o fim da doença ocorra ainda em 2014. O Afeganistão, por sua vez, já deveria estar livre da pólio. Só não consegue porque o vírus entra repetidamente pelo Paquistão, que é no momento o país que enfrenta a maior dificuldade para combater a doença. De todos, é o único com aumento do número de casos, do ano passado para cá. Agora, o peso está todo sobre o Paquistão – é ele que dirá quando será o fim dessa longa jornada.

Não seria melhor desistirmos?

A cada ano que passa, milhões de pessoas morrem vítimas de doenças preveníveis. Então não seria melhor desistir da erradicação da pólio? Isso não é possível. Alcançamos essa situação de poucos casos, porque temos os doadores, estamos colocando 1 bilhão de dólares por ano, e porque vacinadores estão arriscando suas vidas, entrando em desertos, em locais inundados, ou infestados por militantes extremistas.

Com a internet e as viagens aéreas, o mundo hoje se tornou uma pequena aldeia. Enquanto houver um único caso de pólio em algum lugar do planeta, todas as crianças do mundo estarão correndo risco. Tivemos uma prova disso durante a Copa, quando o vírus da pólio foi detectado nadando no esgoto do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, e se descobriu, pelo sequenciamento genético, que o mesmo tinha vindo da Guiné Equatorial, país reinfectado com a doença no ano passado.

Se pararmos agora, além do retorno da pólio aos níveis anteriores, perderemos todo o dinheiro investido, 10 bilhões de dólares até aqui, além dos 5 bilhões já obtidos. Por isso, é melhor ir até o fim e acabar de vez com essa doença.

Por que ajudar pessoas de longe?

Muitos perguntam, “Por que devo ajudar pessoas de longe, que nem conheço?” Então imagine o seguinte. Um belo dia você está caminhando à beira de um lago, e vê uma pequena menina se afogando. Você para, olha em volta, e não vê ninguém. Você entraria na água para salvá-la? Claro que sim. Mas, e se esse lago estivesse na África? E se ao invés disso, essa criança estivesse correndo o risco de morrer por asfixia ou ficar paralítica para sempre por causa do vírus da pólio? Se a sua ajuda fosse essencial, e você pudesse fazer alguma coisa, você ajudaria?

O maior inimigo

Nessa longa batalha, o vírus não é o maior inimigo. O maior inimigo é o esquecimento. O fato da doença estar afastada da maioria dos países desenvolvidos há mais de 20 anos, como é o caso do Brasil, faz com que ela se torne uma coisa distante, perdida no passado, e que não traz mais risco para as nossas crianças.

Se o pior inimigo é o esquecimento, os maiores heróis são os Rotarianos, que vêm mantendo a chama acesa do sonho de um mundo livre da pólio. Com o nosso trabalho voluntário, podemos salvar a vida de muitas crianças. É essa oportunidade que o Rotary nos dá, de fazermos parte de uma grande organização mundial, e de uma grande causa humanitária. Juntos podemos fazer muito mais. Faça parte da história. Acabe com a pólio, agora!

Obrigado.

Palestra aos Rotary Clubs de Balneário Camboriú, Balneário Camboriú-Atlântico, Balneário Camboriú-Norte e Balneário Camboriú-Praia.

Wan Yu Chih
Subcomissão Distrital Pólio Plus
Rotary International Distrito 4651

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