A poliomielite é um sinalizador do que o mundo poderá ou não conseguir no cenário mundial da saúde.

Poucas pessoas associariam o termo “Emergência da Saúde Global” com a pólio, uma doença que está em um declínio há décadas, hoje com menos de mil casos por ano, e que parece nem existir para quem mora no mundo desenvolvido. O termo pode parecer aplicável ao HIV/AIDS, malária, ou câncer, mas à poliomielite? Entretanto, é exatamente o que aconteceu em 25 de maio em Genebra, quando a Assembléia Mundial de Saúde, o órgão decisório da Organização Mundial da Saúde, declarou a pólio uma emergência de saúde pública, conclamando os seus 194 Estados membros a financiar e preencher a lacuna atual de 1 bilhão de dólares para acabar com a pólio até 2013.

A “emergência da saúde global” da pólio é muito mais do que simplesmente preencher um déficit orçamentário. A ameaça da pólio ainda é muito real, e a missão de eliminá-la para sempre é um ponto crucial por razões que superam a própria doença. A poliomielite é um tipo diferente de emergência do que aqueles que normalmente ouvimos pelo noticiário. Seu maior perigo não é o alto número de casos, mas as implicações decorrentes de um eventual fracasso. O fracasso pode permitir que o ressurgimento da doença venha a matar ou incapacitar milhares de crianças a cada ano. Mas a maior preocupação tem a ver com o significado que o fracasso trará para o mundo.

Tecnicamente, esta não é uma “emergência de saúde pública de preocupação internacional”, mas uma “emergência programática para a saúde pública global”, onde a doença e as ferramentas para combatê-la existem e são bem conhecidas. A urgência que existe é a de aplicar o conhecimento e ferramentas, utilizando uma abordagem emergencial para eliminar futuras epidemias e a poliomielite endêmica – aquela existente nos países que nunca deixaram de tê-la e que por isso são exportadoras da doença aos países vizinhos. Estamos falando de Nigéria, Paquistão e Afeganistão.

Nos últimos 25 anos, 10 bilhões de dólares já foram gastos no esforço de erradicação da poliomielite, quantia levantada pela OMS, UNICEF, Fundação Gates e Rotary International. Com um número tão pequeno de casos da doença, não conseguir erradicar a poliomielite agora seria o fracasso de saúde pública mais caro da história. A incapacidade de fazer o dinheiro doado atingir o objetivo pretendido irá aumentar a dificuldade de se obter futuras doações de países e ONGs para campanhas de erradicação de outras doenças. A poliomielite é hoje um sinalizador do que o mundo poderá ou não conseguir no cenário mundial da saúde.

Da Coordenação da Campanha.

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