Meu ócio criativo.

Washington Olivetto

Normalmente, sou bastante relaxado. Porém, num momento de dificuldade, tendo a me concentrar e a me superar. Cresço nos momentos adversos. Nem creio que seja uma qualidade. É uma característica minha. Talvez eu tenha nascido assim. Talvez seja um traço de personalidade definido ainda na infância.

Esse jeito de ser já se expressava entre 1955 e 1956, quando tinha meus 5 anos de idade. Um dia, eu fervi. Comecei a suar. Depois, tiritei de frio. Minha mãe logo detectou a febre, uma febrona. Para me ver foi chamada uma tia minha, diretora de um serviço de saúde na capital.

Ela fez com que me examinassem, mas não souberam determinar a enfermidade que me acometia. Os exames clínicos tampouco esclareceram o mistério. Suspeitaram, então, que o mal oculto fosse o poliovírus, causador da poliomielite, a popular “paralisia infantil”.

Pronto! Um susto tremendo na família. Na época, os pais viviam assombrados com imagens publicadas nos jornais e revistas. Mostravam crianças com poliomielite bulbar e paralisia do diafragma incapazes de respirar. Nesses casos, eram mantidas vivas por medonhas máquinas de pressão cíclica. Eram os chamados “pulmões de ferro”, mais assustadores do que a própria morte.

A primeira vacinação em massa contra a pólio estava sendo realizada justamente naquela época, pelo Dr. Jonas Salk. Mas isso nos Estados Unidos. Era ainda uma profilaxia considerada precária. A boa vacina, desenvolvida pelo Dr. Albert Sabin, essa da “gotinha” simpática, somente seria lançada no mercado na virada de 1961 para 1962.

Pelo sim e pelo não, pela falta de certeza e de remédio apropriado, resolveram me imobilizar e confinar num quarto de casa. Você pode imaginar o que é encarcerar um moleque serelepe por conta de uma doença apenas presumida?

Primeiro, pensei em me revoltar. Depois, compreendi que se tratava de justa precaução. Meus familiares não me queriam torto ou no terrível “pulmão de ferro”. Além disso, desejavam preservar de uma possível contaminação minha irmã recém-nascida. Aceitei o tratamento preventivo, que incluía uma alimentação especial e um trabalho regular de fortalecimento de músculos.

Ali, na cama, comecei a pensar num jeito de fazer o tempo escoar mais rapidamente. Assim, sem muito método, com a ajuda do povo de casa, especialmente dessa tia diretora de um serviço de saúde, aprendi a ler e escrever. De repente, eu podia fugir da minha “cela” pela janelinha dos livros. Conhecia lugares e vivia aventuras por meio da magia das palavras impressas.

Certamente, esse episódio me ajudou a desenvolver métodos intuitivos de autoaprendizado e, de certa forma, me lançou também no universo das ideias e da comunicação. Foi um limão que transformei em boa limonada.

Passei praticamente um ano nesse processo de terapia preventiva. Quando voltei a visitar o quintal de casa, tinha como bagagem os saberes proporcionados pela leitura. E como prêmio pelo sacrifício, uma estrutura muscular à prova de estiramentos e distensões, além de uma quantidade verdadeiramente absurda de cálcio no corpo.

Até hoje, quando comprimo os dedos, faz um barulho que assusta qualquer desavisado. Creck! Creck!

Extraído do livro “O que a Vida me Ensinou” de Washington Olivetto, considerado por muitos o maior nome da publicidade brasileira, e um dos mais importantes da publicidade mundial de todos os tempos.

Podemos fazer um 2016 melhor ainda.

2015 foi o ano em que o jogo virou definitivamente para a pólio. O vírus que causa a doença está mais cercado que nunca. Até agora, neste ano, 66 casos gerados pelo vírus selvagem foram reportados em apenas dois países endêmicos remanescentes, Paquistão e Afeganistão, comparados aos 324 casos encontrados em nove países em 2014.

Nigéria

Estamos chegando à linha final. Em 2015, de três, os países endêmicos da pólio foram reduzidos a dois. Em 24 de julho, a Nigéria conseguiu ficar um ano sem pólio, e foi retirada da lista dos países endêmicos. E o mês seguinte marcou um ano sem nenhum caso de pólio selvagem em todo continente africano. Em toda África, o objetivo de se interromper a transmissão está sendo trocado pelo da resistência contra a volta do vírus. São necessários mais dois anos sem nenhum caso de pólio para que a Região da África segundo a OMS possa ser declarada livre da pólio. Mas temos outros desafios que precisam ser encarados em 2016.

Afeganistão

A ocorrência da pólio no Afeganistão permaneceu baixa em 2015, com um total de 16 casos contra 21 em 2014. Contudo, enquanto que em 2014 a maioria dos casos veio do Paquistão, neste ano a maioria foi causada por vírus nativos do próprio país. E riscos à segurança continuam a ameaçar os programas de vacinação, mas os vacinadores e voluntários continuam determinados em sua missão.

Paquistão

O Paquistão vem conseguindo um progresso enorme, e reduziu 80% dos casos que teve em 2014, graças em parte à implantação do Centro Emergencial de Operações Emergencial, que logrou vacinar 350.000 pessoas em áreas de alto risco somente em 2015, além de fornecer outros serviços de saúde básica. Com isso, o número de crianças inacessíveis à vacinação caiu de 300.000 em 2014 para apenas 35.000 neste ano.

Vírus circulante da vacina

Em decorrência da redução do número de casos pelo vírus selvagem, os casos da doença causados pelo vírus circulante derivado da vacina oral passaram a ficar em evidência em 2015. O fenômeno que pode ocorrer quando a população não se encontra devidamente imunizada é causado pelo vírus do tipo 2 – vírus que em seu estado natural não é visto desde 1999, e por isso foi declarado erradicado em 2015. Ao todo foram seis países: Guiné, República Democrática do Laos, Madagascar, Myanmar, Nigéria e Ucrânia. Foi muito menos que em 2014, mas para evitar a ocorrência do vírus circulante da vacina oral, em abril de 2016 acontecerá uma gigantesca operação global para a troca simultânea, em todos os países do mundo, da vacina oral trivalente para a bivalente.

Para eliminar a possibilidade da transmissão do vírus circulante da vacina oral, todos os recém nascidos do mundo estarão recebendo doses da vacina injetável para imunizá-las contra o vírus do tipo 2, o que já acontece em 83% dos países do mundo.

O legado da pólio

Os países e parceiros do programa devem continuar a trabalhar para que a infraestrutura criada – milhões de pessoas treinadas, um sistema global de monitoramento, e um sistema global de ação contra epidemias – possa ser utilizada por outros programas de saúde, uma vez erradicada a doença, como foi no caso do combate ao Ebola na África.

Falta pouco

Agora, é mais importante que nunca que mantenhamos o impulso que nos trouxe até aqui. Para que possamos erradicar a pólio de vez, é essencial que alcancemos uma alta cobertura de imunização no mundo inteiro; melhoremos a vigilância da doença até que tenhamos a certeza de que o vírus da pólio foi afugentado dos seus redutos; e continuemos a financiar o programa até o último caso ser encontrado.

2015 foi um grande ano na luta contra a pólio. Podemos fazer um 2016 melhor ainda.

Tradução adaptada do artigo “Another year, another step closer to a polio-free world” de 16/12/2015 do GPEI.

Wan Yu Chih, Membro da Subcomissão Distrital Polio Plus do Rotary Distrito 4651 de Santa Catarina.

21 Anos de Erradicação da Pólio no Brasil

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Nesse momento em que se celebra os 21 anos de erradicação da poliomielite no Brasil, é uma honra estar aqui na Fiocruz para falar sobre o papel do Rotary na erradicação da pólio, sobretudo por estar perante alguns dos principais protagonistas que tornaram isso possível, e contribuem para que o Brasil faça a sua parte para permitir a erradicação global da doença.

Algumas pessoas aqui presentes podem não saber que o Rotary, uma entidade social não governamental foi uma das iniciadoras da erradicação global da pólio e tem sido um de seus principais mantenedores. Eu era uma dessas pessoas. Até que um dia, um ex-colega da faculdade de contou que era o Rotary que doava vacinas da pólio para o programa de erradicação no mundo e no Brasil, inclusive.

Por conta disso, acabei ingressando no Rotary em 2006, justamente no ano em o programa de erradicação vivia um dos piores momentos de sua história: a pólio havia retornado a vários países da África e o desânimo e descrença com o programa haviam se instalado. Então, no ano seguinte, veio o homem mais rico do mundo e declarou que a erradicação da pólio passara a ser o objetivo número um dele – Bill Gates. Logo quis saber que razões teriam levado aquele homem a concluir, primeiro, que erradicar a pólio era possível e, segundo, que seria melhor prosseguir até o fim. Passei a trabalhar como voluntário para a causa, e por conta disso tenho hoje o privilégio de estar aqui com vocês.

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O envolvimento do Rotary com a poliomielite no Brasil teve início em 1986, quando doou 6 milhões de dólares ao governo brasileiro para a compra de vacinas (o equivalente a 13 milhões de dólares de hoje) , quantia suficiente para vacinar todas as crianças do país (daquela época) durante 5 anos, e ofereceu o apoio de sua rede voluntários espalhados no país. Com isso, o Rotary passou a participar da coordenação do programa no país.

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O Rotary enviou manuais de procedimentos e criou Comissões Pólio Plus em cada Rotary Club do país, e enviou milhares de voluntários às ruas para ajudar a realizar as campanhas de imunização. Em diversas cidades, o Rotary ajudou a mobilizar dezenas de milhares de voluntários, colocou outdoors e providenciou transporte de vacinadores, gelo, e refeições aos postos de saúde.

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Outro resultado da atuação do Rotary foi a criação em 1987 de uma Instrução Normativa da Receita Federal, que permitiu abater do Imposto de Renda as doações feitas à Comissão Nacional Pólio Plus do Rotary no Brasil. E durante a fase de certificação, o Rotary passou a oferecer um prêmio de mil dólares para a pessoa que notificasse um caso de paralisia infantil.

A OMS afirmou que o programa de erradicação da pólio é o maior movimento social organizado em tempos de paz da história com mais de 20 milhões de trabalhadores e voluntários. Destes, 1 milhão e 200 mil são do Rotary. E Bill Gates disse que o Rotary é o coração e alma do programa de erradicação da pólio.

Mas que organização é essa que está por trás desse movimento?

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O Rotary é uma organização de pessoas que ajudam a estabelecer a paz e boa vontade no mundo através de serviços humanitários. Somos uma associação mundial com 35 mil Rotary Clubs presentes em 200 países, e temos uma Fundação com patrimônio de 1 bilhão de dólares e que investe anualmente mais de 200 milhões de dólares em projetos humanitários. Mas de longe, o nosso maior programa – e o mais prioritário – é a erradicação da pólio.

O Rotary no Brasil é um dos 10 maiores do mundo em quantidade de sócios e contribuição financeira, ao lado de países como os EUA, Alemanha, Japão e Índia. Algumas pessoas podem ter a impressão de que o Rotary é uma agremiação elitizada. Talvez porque já fizeram ou fazem parte do Rotary, grandes empresários, e pessoas que se tornaram ministros e chefes de estado. Isso permite ao Rotary interagir com altos mandatários de nações e organizações governamentais. e conseguir assim obter doações para a pólio.

Por outro lado, o Rotary também tem uma imensa legião de voluntários que estão na base da pirâmide, que procuram contribuir usando o seu tempo e habilidades profissionais, para divulgar a causa, arrecadar recursos, ou ajudar nas campanhas de imunização.

E como é que o Rotary conseguiu se colocar na liderança de um programa global como esse? Como é que nós conseguimos levantar 1 bilhão e 300 milhões de dólares até agora, e por isso, fomos por muito tempo o maior doador privado do programa?

A primeira experiência do Rotary nessa área aconteceu em 1979 como um projeto de fornecimento de vacinas para as crianças das Filipinas, que era o país com a maior incidência de pólio na região do Pacífico. Outras campanhas se sucederam até 1984 em mais 12 países, em parceria com a OMS e o UNICEF, com campanhas pontuais, sempre no âmbito do EPI, o Programa Expandido de Imunizações, porém sem nenhuma agenda global de combate a pólio, até então.

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Em 1979, Clem Renouf, Presidente mundial do Rotary, estava voltando das Filipinas onde tinha ido formalizar os acordos para o lançamento daquele primeiro projeto de fornecimento de vacinas. No avião leu a notícia de que a varíola tinha acabado de ser erradicada, e ele se perguntou se o Rotary poderia ajudar a erradicar outra doença, com igual sucesso.

Chegando à sede mundial do Rotary nos EUA, Renouf falou com o médico John Sever, então Governador Distrital do Rotary em Washington D.C. e Chefe de Infectologia do NIH, Instituto Nacional da Saúde dos EUA. Sever, que era amigo de Jonas Salk e Albert Sabin, recomendou que a pólio fosse a doença escolhida. Teve então início um processo que durou 5 anos, e que culminou no lançamento, em 1985, do Programa Pólio Plus do Rotary de financiamento ao combate à doença.

Apesar do EPI ser preconizado pela OMS desde 1974, com a erradicação da varíola em 1979, surgiu uma minoria na saúde pública que passou a defender a tese da erradicação de doenças preveníveis por vacina. É nesse momento que entram em cena alguns brasileiros, cuja importância foi crucial para levar o mundo à tentar um novo programa de erradicação. O Dr. João Baptista Risi Júnior, que iniciou os bem sucedidos “Dias Nacionais de Imunização no Brasil” em 1980, e que serviram como prova de conceito para a OPAS, o Dr. Carlyle Guerra de Macedo que assumiu a Direção Geral da OPAS em 1983, e convidou o Dr. Ciro de Quadros para dirigir o Programa Expandido de Imunizações da OPAS na Região das Américas. Curiosamente, todos eram fortes adeptos do EPI. Mas Ciro, tendo em vista o sucesso brasileiro, e a sua experiência na erradicação da varíola na Etiópia, sugeriu adotar uma doença principal que atraísse a atenção do público e apoio ao programa – a poliomielite.

O Rotary contava então com a assessoria de Albert Sabin para o desenvolvimento do Programa Pólio Plus. E foi através dele que chegou a Ciro de Quadros. Com a parceria montada, em 1985, a OPAS lançou o programa, mesmo sem o apoio da OMS.

O rápido sucesso do programa da OPAS convenceu a OMS a lançar o GPEI, Iniciativa Global para Erradicação da Pólio, em 1988. Dentre os Rotarianos que atuaram junto à OMS para a criação do programa estavam John Sever e o médico Carlos Canseco, Presidente Internacional do Rotary e ex-Ministro da Saúde do México. A maior dificuldade, segundo eles, não foi a de convencer a OMS a lançar o programa global; foi a de aceitar uma parceria público-privada com o Rotary, que ainda era visto como uma mera entidade filantrópica. Mas a atuação do Rotary no programa da OPAS acabou fazendo a diferença.

Quando fomos finalmente convidados a integrar a coalizão formada para liderar o GPEI, o Rotary passou a ser o braço voluntário do programa, ficando responsável pela defesa da causa, mobilização de voluntários e obtenção de recursos.

O Rotary conseguiu levantar até hoje 1 bilhão e 300 milhões de dólares para a erradicação da pólio. Essa quantia só é superada pelas doações dos EUA, de 2 bilhões de dólares (mas resultante da advocacia do Rotary junto ao Congresso americano), e da Fundação Gates de 1,6 bilhões de dólares. Enquanto que o dinheiro doado pela Fundação Gates vem de poucos e grandes doadores privados, o dinheiro do Rotary vem de muitos e pequenos doadores.

A primeira grande campanha de levantamento de fundos ocorreu em 1985 quando entramos no programa da OPAS. Naquele momento, já tínhamos em vista realizar um programa mundial, então o Rotary criou o Programa Pólio Plus, e lançou o desafio de levantar 120 milhões de dólares em 3 anos.

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A grande pergunta que se fez foi como o Rotary poderia fazer isso, se a arrecadação na época era de 3 milhões de dólares por ano?

Surpreendentemente, o Rotary conseguiu levantar mais que o dobro da meta: 247 milhões de dólares. Foi como na Marcha dos Centavos dos EUA: de moeda em moeda. No Brasil, os Rotary Clubs fizeram de tudo: shows, pedágios, sorteios, churrascos, desfiles de moda, bingo, e até mesmo loterias estaduais. Mas a maior parte da contribuição veio de Rotarianos.

As doações do Rotary têm variado de destinação à medida que o programa de erradicação evolui. Durante o programa da OPAS, iniciado em 1985, as doações eram concedidas diretamente aos países para a compra de vacinas. Mas quando começou o programa da OMS, em 1988, as doações passaram a ser feitas à OMS e ao UNICEF, para custear os salários das equipes da OMS, o treinamento do pessoal de laboratório para vigilância epidemiológica e mobilização social. E desde 1993, o Rotary vem ajudando a custear as campanhas, vigilância epidemiológica, e advocacia da causa.

Até 1996,na África, nenhum país exceto a África do Sul havia iniciado suas campanhas de imunização, o que poderia por em risco outros países que tinham conseguido se livrar da pólio. E outra coisa que se descobriu também foi que em vários países, seriam necessárias mais que as três ou quatro doses recomendadas da vacina. Isso fez aumentar a necessidade de recursos do programa. Foi a partir daí que o Rotary começou a buscar o apoio dos países do G8. E o Reino Unido, Japão, Alemanha, Canadá e EUA, passaram a ser grandes doadores do programa desde então. Para angariar doações, argumentamos que, além das razões de ajuda humanitária, sai mais barato investir na erradicação global que manter a população permanentemente imunizada contra a pólio.

As datas previstas de finalização do programa de erradicação têm sido postergadas por diversas vezes. Tivemos um grande retrocesso em 2005/2006 devido ao boicote à vacinação pelos líderes religiosos do norte da Nigéria, o que fez o vírus retornar a vários países da África. Foi quando ocorreu o pior que pode acontecer em um programa dessa natureza: o cansaço dos doadores e a descrença dos trabalhadores do programa – dois dos principais fatores que sustentam uma iniciativa de erradicação. Foi quando os opositores começaram a propor a desistência da programa.

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Então em 2007, tivemos o ingresso da Fundação Gates no GPEI e que foi marcado pelo desafio feito ao Rotary de doar em conjunto 200 milhões de dólares, meio a meio, quantia essa elevada no ano seguinte para meio bilhão de dólares. Foi como um raio de luz. Para levantar o dinheiro, em fevereiro de 2008, as palavras “End Polio Now” foram projetadas na parede externa do Parlamento de Londres, e o Rotary lançou aos Rotarianos do mundo inteiro um desafio. Cada Rotary Club recebeu a meta de contribuir com pelo menos US$ 1.000 por ano, até conseguirmos a nossa parte, o que levou 4 anos.

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É sabido que ficam para a última etapa do programa de erradicação aqueles países mais difíceis de se chegar às crianças, pelas dificuldades do terreno, ou existência de zonas de conflito. A Nigéria tem o grupo extremista Boko Haram, e o Paquistão, o Talibã. Ambos se opõem à vacinação de crianças. O último retrocesso do programa ocorreu em 2013/2014, quando o vírus, saindo da Nigéria e do Paquistão, retornou novamente a vários países da África, Síria e Iraque, o que obrigou a OMS declarar emergência da saúde pública global para a pólio, e todos os viajantes internacionais das áreas de risco passaram a ser vacinados. Em cada um desses episódios, a atuação do Rotary foi imediata, fazendo a defesa da causa e liberando recursos emergenciais para a compra de vacinas.

Em todos os países temos Comissões Pólio Plus para levantar recursos e fazer a defesa da causa. Mas nos países endêmicos, as Comissões Pólio Plus interagem com os técnicos e autoridades do país, da OMS e do UNICEF, liberando recursos, defendendo a causa, organizando campanhas e outras iniciativas, como os bem sucedidos Centros de Operação Emergenciais criados na Nigéria. Esses Centros reúnem em um mesmo local todas as partes envolvidas: OMS, UNICEF, Rotary, CDC, Fundação Gates e Ministério da Saúde do país, e foram fundamentais para o sucesso no combate à Pólio na Nigéria, aliada à desarticulação Boko Haram pelo governo.

Agora, o Paquistão é praticamente o último reduto do vírus da pólio, e também do Talibã. Mas felizmente, no início deste ano, as forças armadas do país por fim interviram, desarticulando a organização terrorista, o que possibilitou a imunização em massa de crianças e pessoas que nunca haviam sido vacinadas, renovando com isso a perspectiva de que os dias dessa doença estão contados.

Para concluir, em nome do Rotary, quero agradecer ao convite que nos foi feito pela Dra. Dilene Raimundo do Nascimento para participar deste evento, e dizer que apesar da importante conquista do Brasil na erradicação da pólio que comemoramos hoje, e dos avanços do programa da erradicação no mundo, ainda temos um enorme trabalho pela frente.

Neste exato momento, existem 20 países da África e alguns da Europa como a Ucrânia e Turquia, que a despeito de não terem a doença, mas por motivo de pobreza ou conflitos, abrigam crianças que nunca foram vacinadas. Ao todo são 2 milhões e 700 mil crianças, e cada uma delas corre o risco de contrair o vírus da pólio, fazendo a doença retornar ao país. Cada ano que atrasamos custa 1 bilhão de dólares para a coalizão, em campanhas de vacinação e vigilância da doença, o que tem criado uma grande pressão para os parceiros do programa.

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Por isso temos pressa de acabar com a pólio, e por isso o nosso slogan, “Faça parte da história. Acabe com a pólio, agora”. Muito obrigado.

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Palestra proferida em 28/11/2015, no Seminário Pólio Nunca Mais: 21 Anos da Erradicação da Poliomielite no Brasil, COC/Fiocruz, por Wan Yu Chih, Membro da Subcomissão Distrital Polio Plus do Rotary Distrito 4651 de Santa Catarina.

Nigéria: fora da lista dos países endêmicos da pólio.

Ao felicitarmos o Dr. Tunji Funsho, Presidente da Comissão Nacional Pólio Plus da Nigéria, pela conquista, recebemos a gentil carta que abaixo transcrevemos.

nilson tunji

Nilson Algarves e Tunji Funsho, durante Workshop da Conveção Internacional do Rotary em SP

NIGERIA COLOCADA FORA DA LISTA DOS PAÍSES ENDÊMICOS DA PÓLIO: ATÉ AQUI, TUDO BEM.

Em 1985, o Rotary International iniciou o programa de erradicação como um projeto para “colocar a mão na massa”, com o objetivo de imunizar todas as crianças do mundo contra a pólio até 2005, ano das comemorações do centenário do Rotary, e com isso impulsionar os Rotarianos ao Século 21.

No Conselho de Legislação [do Rotary] em 1995, resolveu-se unanimamente que a erradicação da pólio passaria a ser reconhecida como um programa especial, com a mais alta prioridade sobre as demais. Desde então, o Rotary International permaneceu resoluto em seus esforços.

Como resultado dos esforços da Fundação Rotary [do Rotary International] e de nossos parceiros chave – OMS, UNICEF, CDC, Bill Gates, mais de 2 bilhões de crianças já receberam a vacina oral, no globo. O número de países endêmicos também caiu de 125 em 1985, para somente 2.

Os esforços de erradicação da pólio têm desempenhado um papel importante na imagem do Rotary na Nigéria e têm dado aos Rotarianos um sentimento de pertencimento. Através do programa, ao longo dos anos, os Rotarianos da Nigéria têm permanecido unidos em torno de uma mesma causa, atravessando barreiras étnicas, de idioma e cultura.

O programa proveu uma plataforma significativa para expor a internacionalidade do Rotary. Durante os Dias Nacionais de Imunização, os Rotarianos têm tido a oportunidade de intergir com a comunidade. Através dos anos, um bom número de ex-Presidentes do Rotary International, Diretores e outros líderes do Rotary têm visitado o país e participado desses Dias Nacionais.

Além de promover a imagem do Rotary, essas ocasiões têm gerado boas oportunidades para que clubes [de Rotary] participem de vários projetos humanitários de clubes locais.

A nossa parceria no programa global também tem ajudado a estreitar o relacionamento do Rotary na Nigéria com organizações como a OMS, UNICEF e USAID no país.  Os Rotarianos têm aproveitado a oportunidade para desenvolver uma sére de ações em outras áreas da saúde.

O Programa Pólio Plus [do Rotary] tem ajudado aumentar o quadro social [de nossa organização]. Um grande número de pessoas não Rotarianas da área da saúde que participam das atividades de erradicação da pólio como consultores, supervisores, etc., têm ingressado no Rotary por causa da admiração [pelo trabalho] dos Rotarianos durante os Dias Nacionais de Imunização.

A imagem do Rotary também tem sido enaltecida através do noticiário, entrevistas, e exposição à mídia durante os Dias Nacionais de Imunização. O país tem se beneficiado com as doações de Rotarianos de vários distritos do mundo, para o fundo de erradicação da pólio.

Por mais de uma década, não menos que 200 vountários do Rotary de países não endêmicos como Estados Unidos, Canadá, Brasil, Austrália, Reino Unido viajaram à Nigéria por meios próprios para participar do programa de imunização.

A Nigéria também tem recebido um fanstástico apoio financeiro de Rotarianos do mundo inteiro através do Fundo Pólio Plus. É notável o apoio incansável dos Rotarianos do Brasil ao longo dos anos. A nosa sessão conjunta no Workshop da última Convenção Internacional do Rotary [em São Paulo] foi explêndida.

Nossos sinceros agradecimentos aos amigos de todo o mundo, por acreditar em nós, por contribuir com seu tempo e recurso para esse desafio global. Estamos felizes pois o esforço não foi em vão. Nosso trabalho irá continuar com as mobilizações, vigilância e fortalecimento da imunização de rotina nos próximos 2 anos.

Hoje, temos a certeza de que estamos vendo a luz no fim do túnel, enquanto a OMS tira a Nigéria da lista dos países endêmicos. O fim da pólio está próximo.

Dr. Tunji Funsho
Presidente da Comissão Nacional Pólio Plus da Nigéria

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(Original em inglês)

DELIST OF NIGERIA FROM THE POLIO ENDEMIC COUNTRIES: SO FAR, SO GOOD.

In 1985, Rotary International initiated polio eradication programme as a hand-on- project, to immunize all the world’s children against polio by Rotary’s centennial in 2005 and thereby propel Rotarians of the world into the 21st century. At the Council on Legislation in 1995, it was resolved unanimously that polio eradication be recognized as a special programme that has the highest priority over all other. Since then, RI has remained resolute in its efforts on global polio eradication. As a result of the Rotary Foundation and those of our spearheading partners – WHO, UNICEF, CDC(Atlanta), Bill Gates, over 2 billion children have received oral polio vaccine(opv) globally. The number of endemic countries have also declined from 125 countries in 1985 to ONLY 2.

Polio eradication efforts have played a major role in enhancing the image of Rotary in Nigeria and giving Rotarians a sense of belonging. Through the programme’s various initiatives over the years, Nigerian Rotarians have been united in a common cause, cutting across the country’s divergent ethnic, language and cultural groupings. The programme has provided a meaningful platform for showcasing the internationality of Rotary. During IPDs, Rotarians are afforded the opportunity of more personal interaction with the community. Over the years, a good number of serving and past RI Presidents, RI Directors and other Rotary leaders have visited the country and participated in the IPDs. In addition to promoting the image of Rotary, such occasions have provided a good ground for interaction, which in a number of cases, have resulted in many overseas clubs participating in various local clubs WCS projects.

The global partnership the programme fosters has also helped to increase Nigerian Rotarians inter-relationship with organizations such as WHO, UNICEF and USAID in Nigeria. Rotarians have taken advantage of such avenue to prosecute a number of projects in other areas of health.

The PolioPlus programme has assisted in membership growth. A number of non Rotarians in the field of health who participates in various polio eradication activities either as Consultants, Monitors, etc have been prompted to join Rotary through admiration of Rotarians activities during IPDs. The image of Rotary has also been enhanced through various publications, press releases, press interviews and media exposure during IPDs. The country has also benefited from individual Rotarians from various districts all over the world through their contributions toward the polio eradication partners fund.

Over a decade, not less than 200 Rotarian volunteers from the non endemic countries like USA, Canada, Brazil, Australia, UK etc had travel to Nigeria at their own expense to participate in the immunization programme. Nigeria has also received tremendous financial support from Rotarians all over the world through the PolioPlus Fund Project. It is noteworthy to place on record the relentless support from the Brazilian Rotarians over the years. The breakout session at the last RI Convention was splendid.

Our sincere appreciation to our friends all over the world, for believing in us, for contributing their time and resources to this global quest. We are happy that our labour is not in vain. All efforts will continue on mobilization activities, robust surveillance and strengthening routine immunization for the next 2 years. Today, we are surely looking at the bright light at the end of the tunnel as WHO removed Nigeria from the list of endemic nations. The end of polio is close indeed.

Dr. Tunji Funsho
Nigeria National Polio Plus Committee Chairman

Rotarianos em ação!

No último sábado, 15 de agosto, os Rotary Clubs do Distrito 4651 foram presença marcante no Dia D da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite. O personagem Betinho Carrero, embaixador da campanha End Polio Now Santa Catarina, saiu do Parque Beto Carrero World e circulou por Florianópolis e São José para acompanhar o trabalho e animar a garotada.

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Diversos clubes também participaram das atividades junto às Secretarias de Saúde de seus municípios. Rotarianos auxiliaram transportando as vacinas em seus próprios veículos, organizando filas, distraindo as crianças, divulgando informações, incentivando pais e mães nas ruas para que levassem seus filhos aos postos de vacinação. Outros Rotary Clubes (RCs) doaram camisetas para o uso das equipes de vacinação, como os de Itajaí-Norte e Itajaí-Porta do Vale e o de São José-Kobrasol.

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Em Florianópolis, a adesão dos RCs foi de 100%. A abertura oficial da Campanha de vacinação foi realizada no Posto de Saúde do bairro Coqueiros, na Capital, onde estiveram presentes o Diretor de Vigilância em Saúde, Leandro Pereira Garcia, representando o Secretário de Saúde de Florianópolis, Daniel Moutinho Junior, a Gerente de Vigilância Epidemiológica do município, Ana Cristina Vidor, integrantes dos Rotary Clubs de Florianópolis e Florianópolis-Leste e da Equipe Distrital do Rotary.

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A Dra. Ana Cristina Vidor destacou a importância da parceria com o Rotary e com o Beto Carrero World na Campanha, explicando que a divulgação obtida por meio dela é essencial. Ana alertou que a cobertura vacinal está sendo cada vez mais difícil de atingir, não somente no Estado como em todo o país. Ela explicou que existe uma crescente parcela da população com um estilo de vida alternativo e que busca mais saúde e qualidade de vida; mas, devido à falta de informação sobre os reais riscos e benefícios das vacinas, não entende que a vacinação faz parte dessa saúde almejada.

– O Governo tem o seu papel, que é vacinar, mas a mobilização da sociedade civil também é de extrema importância para disseminar essas informações – disse Ana Cristina.

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Após participar da cerimônia, Betinho Carrero circulou pelo Parque de Coqueiros brincando com as crianças. Acompanhado pelo Governador do Rotary, Carlos Fernandes de Alcântara Júnior, o personagem-símbolo do Beto Carrero World também esteve no TICEN, onde os companheiros do RC de Florianópolis-Ilha faziam o recrutamento dos pais, encaminhando-os ao posto ao lado.

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Depois, Betinho seguiu para o Mercado Público da Capital; Policlínica Central; e posto volante do Angeloni na Avenida Beira-mar, onde foi recebido pelas companheiras do RC de Florianópolis-Amizade; e Posto de Saúde da Trindade, onde membros do RC de Florianópolis-Trindade disponibilizaram balões e cama elástica para as crianças. Ele finalizou sua visita no Calçadão do Kobrasol, em São José, encontrando os representantes do Rotary Club, Rotaract e Rotary Kids que estavam a postos junto aos funcionários da saúde.

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Na Capital, os RCs dos Ingleses, Jurerê, Atlântico, Estreito , o E-club do Distrito 4651 e o Rotaract Club-Ingleses também disseram “Presente!” na mobilização. O Governador Carlos Fernandes dividiu-se entre atividades de Florianópolis, São José e sua cidade, Biguaçu, onde os sócios do Rotary Club trabalharam no Dia D ao lado do personagem Zé Gotinha.

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Em Itajaí, os RCs Porta do Vale e Norte atuaram juntos. Além de doar as camisetas para a Secretaria de Saúde, participaram de palestra com a enfermeira Andrea Bittencourt, responsável pela Campanha no município e estiveram presentes na abertura oficial, junto a autoridades locais.

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No Sul do Estado, o Governador Assistente do Rotary, Edson Souza de Oliveira, e a Diretora de Imagem Pública do RC de Capivari de Baixo, Nair Martins de Oliveira, estiveram com a enfermeira Caroline Zabot, coordenadora de vacinação da Secretaria de Saúde, nas rádios de maior abrangência da região: a 102 FM, Litoral AM e a Capivari FM. Dentre os assuntos abordados na entrevista, o principal foi o papel do Rotary na erradicação da pólio, além da situação atual da doença no Brasil e no mundo. Lá, os Rotarianos também participaram de ações e palestras de incentivo à vacinação nos dias anteriores ao lançamento da Campanha Nacional.

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Em Tubarão, o RC Cidade Azul encarregou-se da entrega de vacinas e da distribuição de refeições para as atendentes nos 12 postos existentes na região. As companheiras do RC de Laguna-República Juliana também marcaram presença, auxiliando o atendimento na Unidade de Saúde da Barra durante todo o dia, recebendo e incentivando a garotada a tomar a gotinha.

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Parabéns a todos os Rotary Clubs, Rotaract Clubs e Rotary Kids envolvidos na mobilização do Dia D da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite. Com certeza todos foram “Um Presente para o Mundo” nesse dia 15 de agosto!

Texto: Márcia Feijó. Imagens: Comunicação Beto Carrero World, Carla Argolo da Secretaria da Saúde de Florianópolis, e Rotary Clubs participantes.

Dia D da Pólio 2015

Mais um Dia D da Campanha Nacional de Imunização contra a Poliomielite se aproxima e, com isso, mais uma vez, teremos, como Rotarianos, a oportunidade de dar a nossa colaboração.

Mas é papel do Governo! É o comentário que ouvimos, às vezes. Se combater a Pólio fosse atribuição exclusiva dos governos,  o Rotary jamais teria se envolvido no programa de erradicação dessa doença no mundo, quanto menos para liderá-lo!

Participar da campanha nacional de vacinação contra a poliomielite no Brasil tem uma importância particular para nós. Em 1986, o Rotary doou 6 milhões de dólares ao governo brasileiro para a compra de vacinas, quantia suficiente para vacinar todas as crianças do país durante 5 anos.

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Presidente Sarney com os representantes do Rotary, durante o ato de doação de 6 milhões de dólares em 1986.

Outra ação junto ao Ministério da Saúde foi a realização de um Seminário organizado pelo Rotary, que resultou em um documento assinado pelo Ministro da Saúde e autoridades da Organização Panamericana da Saúde, UNICEF e Rotary, estabelecendo que o Rotary e outras ONGs pudessem ter participação na coordenação do programa.

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Símbolo do programa Polio Plus do Rotary ao lado do logotipo do Ministério da Saúde em cartaz da campanha de vacinação.

Comissões Polio Plus foram criadas nos Distritos e em cada Rotary Club do país. Dezenas de milhares de Rotarianos saíram às ruas para participar das campanhas de imunização promovidas pelo Ministério da Saúde, e em diversas cidades, o Rotary colocou faixas e outdoors, e providenciou transporte de vacinadores, gelo, e refeições aos postos de saúde.

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Rotarianos em frente a outdoor durante campanha de vacinação.

Outro resultado da atuação do Rotary foi a criação, em 1987, da Instrução Normativa da Receita Federal, que permitiu abater do Imposto de Renda as doações feitas à Comissão Nacional Polio Plus do Rotary no Brasil, para as campanhas de vacinação. E durante a fase final do combate à doença no Brasil, o Rotary ofereceu um prêmio de mil dólares para qualquer pessoa que notificasse um caso de paralisia infantil.

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Extração especial da loteria estadual do Rio Grande do Sul para o combate à poliomielite no Brasil.

O programa de erradicação da pólio é o maior movimento social organizado em tempos de paz da história, com mais de 20 milhões de voluntários; e destes, 1 milhão e 200 mil são do Rotary. O slogan “End Polio Now” vem sendo usado, pelo Rotary, como a marca de sua participação no programa, e pode ser visto em todos os países afetados pela doença, estampado nas caixas de isopor que transportam as vacinas, nos containers que servem de ponto de vacinação nas fronteiras do Paquistão, e nas camisetas usadas para a divulgação da causa.

Ao se completar 1 ano da interrupção da circulação do vírus da doença na Nigéria, e consequentemente do continente africano, estamos mais próximos que nunca do fim. Mas infelizmente, cada ano que atrasamos para erradicar a pólio custa ao programa de erradicação 1 bilhão de dólares em campanhas de vacinação e vigilância da doença, o que tem criado uma grande pressão para todos, já que, de acordo com o plano da OMS, o último caso no mundo deveria ter ocorrido em 2014. Por isso, vamos às ruas no dia 15 de agosto próximo. Temos urgência em acabar com a pólio. Acabe com a pólio, agora!

Wan Yu Chih
Membro da Subcomissão Polio Plus do Rotary Distrito 4651

Seja um protagonista ao nosso lado!

Para começar eu gostaria de contar uma estória – uma estória sobre uma menina chamada Poliana. Todos os anos, os missionários da igreja recolhiam objetos usados para entregar como presente aos pobres, no Natal. Poliana esperava ganhar uma boneca, mas, ao invés disso, ganhou um par de muletas. Antes que ela pudesse ficar triste, seu pai aproveitou o momento para lhe ensinar um jogo – o Jogo dos Contentes – que era assim: sempre que Poliana se deparasse com uma adversidade, ela iria procurar o lado bom das coisas. Poliana parou, pensou e concluiu que ela poderia ficar feliz porque ela tinha pernas, podia andar, e não precisaria das muletas.

Mas aos 11 anos, Poliana perde os pais e vai morar com uma tia rabugenta que não lhe trata bem. Apesar disso, com a sua filosofia de sempre ver o melhor lado das coisas, ela acaba mudando a vida das pessoas daquela cidade. Um dia, o seu otimismo é posto à prova. Ela é atropelada por um carro. E ela sofre uma lesão que a deixa totalmente paralítica, e termina não encontrando nenhum motivo para ficar feliz. Foi quando as pessoas da cidade começaram a procurá-la para lhe dizer o quanto ela era importante para elas. Reanimada, Poliana retoma o Jogo e se contenta com o fato de não ter perdido as pernas, apesar de não poder andar. Eis que sua tia, também mudada, a envia para um novo tipo de cirurgia, e Poliana volta a andar – sem precisar das muletas!

O que esta estória nos ensina é que o otimismo e a ajuda ao próximo podem trazer a paz e a boa vontade entre as pessoas. E coincidentemente, a busca da paz e boa vontade também é a missão do Rotary. E foi com esse espírito, que em 1985, o Rotary lançou o programa Pólio Plus e começou a combater a paralisia infantil. A paralisia infantil é uma doença contagiosa causada por um vírus e é transmitida de pessoa a pessoa. As vítimas em sua maioria são crianças pequenas, que ficam paralisadas, às vezes da cintura para baixo, ou do pescoço para baixo; e às vezes a respiração fica paralisada, e muitas acabam morrendo por não poder respirar.

Quando vocês foram convidados para esta festa beneficente em prol da erradicação da pólio, muitos devem ter ficados surpresos: mas essa doença ainda existe? Outros devem ter pensado: mas se há tão poucos casos, porque não parar? A resposta é que se não acabarmos com ela, a doença pode voltar. O Brasil teve o último caso em 1989, por isso não vemos muitas pessoas sequeladas pela pólio. Mas se formos à África, ou ao Sudeste da Ásia, à Índia, ao Paquistão, iremos ver uma legião de jovens mendigando, com as pernas contorcidas pela pólio, se arrastando pelo chão.

No ano em que começamos o programa aconteceram 350.000 casos de paralisia em 125 países. Porém, em 2015 temos até agora apenas 24 casos no Paquistão e 3 no Afeganistão. O número de casos nunca esteve tão baixo assim, em toda história. E se tudo der certo, dentro de 1 ano veremos o último caso da doença no mundo. Mas até que isso ocorra, e tenhamos certeza disso, precisamos continuar vacinando todas as crianças do planeta. E isso não é fácil.

Algéria, Senegal, Guiné Bissau, Mali, Costa do Marfim, Niger, Chade, Camarões, Congo, Angola, Namíbia, Zâmbia, Etiópia, Somália, Uganda, Tanzânia, Ucrânia, Turquia, Síria. Não, essa não é a relação dos países que irão participar das Olimpíadas. Esses são alguns dos países, que apesar não terem a doença, têm crianças que nasceram e nunca foram vacinadas. Ao todo são 2 milhões e 700 mil crianças, e cada uma delas corre o risco de contrair o vírus da pólio, enquanto não acabarmos com a doença. Por isso a sua contribuição é importante.

Se a doença acabar no ano que vem, terão sido 30 anos desde que o Rotary começou, o que não é muito se pensarmos que não haverá mais crianças paralíticas, não haverá mais sofrimento, e não haverá mais famílias empobrecidas, condenadas à mendicância pelas ruas.

Não estamos sozinhos nisso. No mundo inteiro são 20 milhões de voluntários; e destes, 1 milhão e 200 mil são do Rotary. O Rotary é o braço voluntário do programa. Por isso estamos aqui para trazer a seguinte mensagem aos que são rotarianos: Aguente firme que falta pouco! E a você que não é rotariano mas que está aqui conosco hoje: Seja um protagonista ao nosso lado. Você poderá dizer com orgulho, “Combati ao lado do Rotary uma batalha pela humanidade, lutei pelos mais fracos, e sobretudo pelas crianças”.

Muito obrigado.

Wan Yu Chih
Coordenador da Campanha End Polio Now Santa Catarina.
Rotary Distrito 4651.
Palestra em evento do Rotary Club de Itapema, SC, 26/06/2015.